29.03.2006
HAIKAI DE MADURO.
I.
Vejo teu corpo
Abro pernas e braços
Fresta de sonho.
II.
Teu nome às voltas
Um sopro nas curvas
Poesia do vento.
III.
Lábios abertos
Tua fonte escondida
Cheia de sede.
IV.
Abre-me pétala
Cobre-me égua
Suga-me fruta.
Às vezes a vida é assim, um pequeno milagre.
Alguém que nos ama as imperfeições.
Um gosto de sonho em lugar impreciso.
Um sorriso adivinhado.
A sede de outra sede igual.
Tempo da delicadeza.
Bem certim.
É NA CONFIANÇA.
Vai daí que a moça aquela não sabe que fim deu no carregador de celular. Ligou pra assistência técnica oficial certificada original de fábrica e descobriu que um carregador novo custa mais caro do que ela pagaria hoje só pelo aparelho. Não é lindo? Pois é lindo.
Então a moça resolveu ir até downtown e descolar um carregador celulítico alternativo genérico compatível multimarcas com o pessoal que exerce a cidadania buscando a dignidade e o sustendo de suas famílias oferecendo opções de produtos variados na economia informal.
Depois de quase ser degolada por uma corda de nylon transparente de um dos estabelecimentos do centro comercial ao ar livre, comer um cachorro quente do bigode com uma Fanta média e fazer amizade com três distintos negociantes de artigos importados oficiosamente, adquiriu, mediante pagamento à vista em dinheiro, um carregador de celular por “DÉ REAUS, porque a moça é fina e bonita e merece um descontinho. Leva intiqueta com garantia. Se não funcionar, nóis troca na merma hora, sem pobrema. É na confiança”.
Garanto que não tem reclamação nenhuma no Procon contra esses senhores.
UMA UVA.
Lançamento do Livro da Monique Revillion ontem na Palavraria. Coisa mais linda. Fila homérica, gente linda, gente famosa, gente interessante, gente querida. Todos com um detalhe importante em comum: tietagem da Monique. Tem livro à venda na
Livraria Cultura e no
Submarino. Comprem, povo. Eu juro que vocês vão me amar mais por essa dica.
Tá, eu sei. Pareço deslumbrada, mas olha isso:
"Encilhado o luto, apaziguados corpo e memória, ela juntou os trapos na maleta de lona apartando-os para sempre do bibelô de anjo e da imagem de São Bento, que restariam na casa como sinais empoeirados de indireta esperança. Tendo procurado Deus em todos os cantos, tendo clamado justiça em todas as línguas, decidira verter sobre outras paragens a ladainha de carpideira sem fé e sem montanha."
Não é de morrer?
ARTE DA FAL, AGORA COM GATA PROPAGANDA.
Não bastasse o curso ser diumtudo, ainda tem gata propaganda prima da Hildolina.
Arrasou.
Enquanto isso, na Sala da Justiça...
No meio da audiência, a Adevogada* pergunta para Vossa Excelência se ele estará de férias em julho. Vossa Excelência responde rindo que não, com a sobrancelha esquerda arqueada, na clara linguagem corporal de quem questiona o porquê da pergunta. A Adevogada responde que ele marcou audiência para julho às 8:30h (sendo que o jovem e belo Meritíssimo sabe muito bem que a jovem e bela Adevogada não reside na Comarca em questão), no que o sorriso de Vossa Excelência se transformou numa gargalhada. A Adevogada então pergunta para a secretária do Magistrado qual o melhor hotel da cidade:
- Que hotel, doutora? Não tem hotel aqui, não.
Imediatamente todos os presentes também começaram a rir e a secretária tranqüilizou a aflita moça, prometendo que daria um jeito de conseguir hospedagem para a doutora. Ni qui, ni qui, conduzindo liberalmente a audiência, o Excelentíssimo afirmou, dois tons abaixo: "Deixa pra mim que eu resolvo isso" e chamou a próxima testemunha.
A pergunta de um milhão de dólares é: o que será que o quilido quis dizer com deixa pra mim que eu resolvo isso?
*Não fui eu, foi uma amiga minha que vocês não conhecem não.
ALOU LISBOA!
Ibirapuera, de manhã.