Verdade seja dita, mosfios, ser blasé é pra quem pode. Eu sou é deslumbrada.
Acho lindo quem compra um carro novinho que era o que de mais caro em termos automobilísticos se estava apto a adquirir e os amigos só ficam sabendo dois meses depois quando por acaso pedirem carona. Acho chiquérrimo quem é convidado para conhecer a Diana Krall e se porta bem, nem tira fotografia, não sai alardeando pra meio mundo que chegou perto da moça. Acho pheneíssimo quem vai a uma festa daquelas de cinema e não repara no arranjo de mesa, não sabe descrever o cardápio todo, não emborca três litros de Dom Perignon e no dia seguinte não convoca uma reunião do pobrerio pra contar como foi a festança pra qual a pobre n.º 1 emprestou a bolsa de lamê prateado, a pobre n.º 2 emprestou a sandália com strass muito menor que o seu pé, a pobre n.º 3 arrumou uns brincos com a Tia Urânia, a pobre n.º 4 retocou sua unha lascada de última hora pra não fazer feio.
Não me refiro a ostentar, ser prepotente ou exibida, mas a se permitir ficar (e demonstrar que ficou) estarrecida, extasiada, feliz que nem pinto no lixo, mais faceira que lambari de sanga, aos pinotes, fora da casinha. Não ter a obrigação moral de disfarçar, diminuir, amenizar a sua insanidade temporária cheia de fogos de artifício porque, veja lá, não fica bem, parece que nunca viu isto, nunca comeu aquilo, nunca te aconteceu isso antes, mesmo que, não, nunca tenha visto, nunca tenha comido e nunca tenha acontecido, de fato.
Quando algo de bom acontece, quando ganho um presente que adorei, quando faço coisas que pra mim são extraordinárias, quando me sinto honrada, quando estou me sentindo por cima da carne seca, caraca, eu me permito sim, sim, sim, ficar feliz, me achar, momentaneamente, claro, a rainha da cocada branca, preta e mista, a bolacha mais recheada do pacote, a última cerveja gelada do boteco e contar pra todo mundo. Sóri. Sou assim. Um raio de uma mocinha deslumbrada com as maravilhas que a vida tem e que às vezes, bem às vezes, muito de vez em quando, dão o ar de sua graça no meu humilde terreiro.
Quem consegue agir de outra forma, das três, uma: ou é um baita bola murcha pé no saco sem graça, ou tem uma vida muito cheia dessas coisas inimagináveis muito além do meu limitado alcance de pobre sem pedigree, ou é um fazido que quer parecer que é.
Delaidinha comentou:
Ai...fez o gostoso queridão passar vergonha????????????????????Eu te avisei, eu te implorei...Mas tu me ouviu???? Não!!!!!!
Se tu teve chilique no show do roberto Leal (que eu sei que tu gostas), eu te encho de sopapos na volta!!!!