FELICIDADE PRA MIM.
A professora da pré-escola pergunta à menininha de avental rosa o que é felicidade. Ela responde, do alto dos seus 5 anos e meio, quase sem pensar: "Ser bom por dentro e por fora; não ser ruim nem por dentro, nem por fora."
Chama atenção o que pode aparentemente ser uma redundância: ser bom e não ser ruim, e também o “por dentro” e “por fora”.
Ter o que se passa no de dentro de acordo com o de fora, o consciente e o inconsciente, em harmonia. Ter o de dentro livre de traumas, recalques, tristezas, ressentimentos, culpas, inveja, egoísmo, rancor, amargura: ser bom por dentro. Ser assim também por fora: ter a quem amar, ser amado, ser generoso, ser olhado, ser reconhecido, saber reconhecer.
Não ter sujeira no de dentro e querer ser bonita no de fora - até porque, cedo ou tarde, o feio aparece, vem numa golfada, vomita-se quando menos se espera. Reconhecer o ruim e poder tirá-lo de dentro. Depois, poder ser bom por fora de verdade. Ficar bom por dentro e por fora. Algo para se buscar ao longo da vida. Felicidade, sim, é isso mesmo.
O surpreendente é que depois de ter tido muitas outras concepções de felicidade na vida (um corpo perfeito, sucesso profissional, um grande amor, viagens dos sonhos, uma família bonita, saúde, grana), aprendo que felicidade é mesmo o que eu pensava que era, 27 anos atrás: "Ser bom por dentro e por fora; não ser ruim nem por dentro, nem por fora."
ver tabela de smileys:
aqui
Ninguém comentou:
Não, eu não vou ser o primeiro a comentar. Nem vou dizer que achei bonito e verdadeiro o que disseste, embora ache isso mesmo. Nem vou dizer que o que tu disseste é tão óbvio e essencial quanto é imperceptível em nosso cotidiano áspero e de pessoas perdidas de si mesmas. Depois vão ficar por aí, dizendo que só te elogio, que sou falastrão, rasgação de ceda e tal. Não, não comento nada. Me controlo. Pronto.