Queridos leitores,
isto cá é muito giro, estás a perceber? Almocei com
Rititi e tal, já tenho telemóvel, andei de eléctrico, tomei imensos imperiais e bicas, e pá, estou a manter-me completamente brasileira, percebes?!
O bonito mesmo é a força de caráter desta gaja que vos fala. Cá são todos uns queridos, mas não vos troco por nada. Béijinhos.
Senhoras e senhores do júri,
o ritual do
DESAPEGO e ACEITAÇÃO consiste em velar o morto e sumir com o cadáver até o momento em que você puder olhar para os bens do
de cujos novamente - seus netos precisam saber o quão aventureira foi a sua existência, minha cara! É uma cerimônia simples, sem grandes pompas, como convém aos eventos elegantes - refletindo a mulher simples, econômica, porém, glamurosa que você é. É um ritual que você fará repetidas vezes ao longo de sua vida, por que se você está lendo este blog não é nenhuma freira virgem, que vive enclausurada nas montanhas escandinavas, tirando leite das cabras selvagens para fazer um queijinho medonho que custa uma fortuna. Se você está lendo este blog é por que é uma mulher da vida. E uma mulher da vida ama, e deixa de amar, váááárias vezes. E precisa entrar em contato com seu eu mais profundo no tempo das vacas magras, aceitando a morte do finado e se desapegando das marcas que ele deixou.
Este é um ritual desenvolvido pelas mulheres. Absolutamente feminino. Vocês já imaginaram um bofe no seu terno Ermenegildo Zegna, sapatos Kenso, gravata Armani e rolex prateado entrando numa magnífica loja de R$ 1,99? Eu imagino, e acho um bafo! Mas, contudo, todavia, entretanto, não é o que tem acontecido durante os séculos. E vocês sabem por quê? Porque
este cidadão tem uma teoria.
Ele irá negar (faz parte da conduta usual) e você o lerá e não acreditará que
ele tenha desenvolvido esta tese. Mas é mais pura verdade.
O ritual da
PEGAÇÃO e NEGAÇÃO consiste em exaltar a morta, lembrando-a e adorando-a pegando no corpo de outras, tantas quantas ele for capaz, não importando a qualidade do material e tampouco a procedência - ele precisa dar um jeito para que a falecida fique sabendo o grande comedor que ele é (da onde?!), mas negará até o fim dos dias que esteja executando a pegação com o único intuíto de esquecê-la (tão me acompanhando? pegaram onde está a negação? sim, os machos não admitirão, mas a verdade é esta!). É uma cerimônia simples, sem grandes elocubrações intelectuais/sentimentais, como historicamente diz-se convir aos homens - refletindo a falta de critério e bom senso desta categoria. Ele encenará a pegação repetidas vezes enquanto não for procurar tratamento psicológico, por que toda gente sabe que um bom macho heterosexual tem problemas de falta de coordenação motora quando está diante de a-bunda-nte material feminino, mesmo que as peças estejam em franco estado de deterioração.
Este é um ritual desenvolvido pelos homens. Absolutamente masculino. Vocês já imaginaram uma mulher pegando de forma descontrolada e animalesca? Eu imagino! Contudo, todavia, entretanto, não é o que tem acontecido durante os séculos. E vocês sabem por quê? Porque este mundo está errado. Sim, profundamente errado. Nós mulheres, que somos seres evoluídos, rosa-choque, sexo frágil, não foge à luta, eventualmente, devemos entrar em contato com nossa porção selvagem e efetuar a pegação. Uma pegação criteriosa, selecionada e discreta, por que os seres superiores não necessitam demonstrar sua superioridade de forma intimidativa. Mas, somente
depois de findo o ritual do
DESAPEGO e ACEITAÇÃO.