03.05.2005

DIAS DE OUTONO, SOL E PREGUIÇA



por Ticcia, às 23:02 de 03.05.2005 - Categoria: Fatos e Fotas
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AH NÃO

Dor de cabeça, calafrios, mãos geladas, sensação aérea, pressão na testa... vou tocar chá de limão, Benegripe, resfenol, a farmácia inteira se for o caso, mas que a gripe não vai tomar conta, não vai.

Tenho OUTROS PLANOS para este corpicho.
Ô, se tenho.

por Ticcia, às 17:06 de 03.05.2005 - Categoria: Boca no Trombone
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Da Série RELACIONAMENTOS: Ro, a chefe X Jesus, o estagiário

Quando Jesus chegou na repartição, como qualquer outro estagiário, não sabia para que lado nascia o sol. Ninguém queria trabalhar com ele, perdendo tempo explicando o quê/como/quando fazer. Ro, que também estava chegando na repartição, se dispôs a abraçar a causa, considerando que (I) ele iria aprender o quê/como/quando fazer na visão do direito/estilo/ritmo dela e (II) também não havia outra alternativa mesmo.

Assim, Jesus levou sua primeira e única mijada com menos de um mês de trabalho. E nunca mais foi necessário sentir o cheiro de urina novamente.

Ele foi observando que deveria, antes de mais nada, ler o processo e estudar o direito. Compreendeu que não importa quanto tempo ele trabalhe, desde que faça o que lhe foi determinado. Foi aprendendo que poderia escolher ele mesmo seu horário, mas que seria sempre responsável pelo próprio desempenho.

Com o tempo, a relação entre a chefe e o estagiário foi se estreitando. Um sabe o que esperar do outro, quando falar com o outro, quando calar com o outro. Embora o subalterno fale o que não deva e já tenha sido despedido umas mil vezes. Portanto, como os senhores podem notar, nenhum dos dois tem vergonha na cara.

Mas pasmem, senhoras e senhores da platéia, em pouco mais de um ano, Jesus se tornou o melhor estagiário da repartição, tanto em termos de quantidade como de qualidade.

Como eu não sou palhaça, esqueçam a hipótese de me tirarem o Jesus. E digo isso fazendo o açucareiro!
por Ro, às 15:44 de 03.05.2005 - Categoria: Barraco
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AOS PERDEDORES, AS BARATAS

Como você suporta o sucesso e a felicidade do outro? Bem? É mesmo? Mesmo quando você não tem tanto sucesso (ou nenhum) ou quando você não está tão feliz (ou está na merda) e se acha muito mais talentoso e merecedor de reconhecimento e felicidade do que aquele sortudo-filho-da-puta-c’a-bunda-virada-para-lua? Aí é mais difícil, né bem?

É impressionante a quantidade de gente que é incapaz de reconhecer o talento dos outros ou de se alegrar com o bem estar alheio. Você recebe uma notícia, de alguém feliz da vida, e retribui com um esgar, quando muito um ah, que legal. Não que o outro esperasse louros, ou tapete vermelho, ou ressoar de trombetas, mas ele queria dividir. Mas isso ainda não é o pior. Pior mesmo é quando, além de não conseguir dividir, você desqualifica, diminui, critica apelando aos mais falsos argumentos, às mais absurdas razões.

Pois é, meu amórrrrr, mas aí das quatro, uma:

a) ou você descobre porque afinal de contas o ser ignóbil e desprovido de talento faz sucesso e imita a fórmula e plim, voilà, você agora também é uma celebridade e é feliz;

b) ou você conclui que a escória humana faz sucesso valendo-se de meios escusos, baixos, apelativos e deselegantes e se regozija chafurdando na lama, recusa-se a descer ao nível do verme rastejante e abdica deste sucesso abjeto e nauseante e desta felicidade fétida que você não quer, nunca quis e nunca vai querer, so help them god;

c) ou põe a culpa num deus injusto ou na sorte que é uma prostituta ingrata e reza para que um dia, quem sabe, chegue a sua vez;

d) ou trabalha e se esforça bastante para chegar lá, trata da cabeça, toma Prozac, compra um vibrador (se tiver talento, esclarecimento e dinheiro pra isso, lógico).

O que não vale, é feio, triste, deselegante, medíocre, chinfrim, rasteiro e asqueroso é querer aparecer às custas do sortudo-filho-da-puta-c’a-bunda-virada-para-lua, ou diminuir a felicidade do sortudo-filho-da-puta-c’a-bunda-virada-para-lua, porque o sortudo-filho-da-puta-c’a-bunda-virada-para-lua sem supostamente talento algum pode ser sortudo, ter a bunda virada pra lua, não ter talento algum, mas não é trouxa, veja bem.

E não venha me dizer que a sua é a mais bela das intensões, que você faz crítica construtiva ou está sendo verdadeiramente amigo(a), que de críticos e amigos verdadeiros o sortudo-filho-da-puta-c’a-bunda-virada-para-lua entende.

No caso do amigo(a) não optar por nenhuma das alternativas sugeridas, recomendamos melancia. Não, não pra comer, para dependurar no pescoço. Dá uma dor nas costas desgraçada, mas ocupa o tempo e ajuda a aparecer. Ô, se ajuda.

por Ticcia, às 14:33 de 03.05.2005 - Categoria: Crônicas Cretinas
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E a gente fica boba, né? Besta, besta, com o olhar cada vez mais longe e mais bonito e a cara cada vez mais idiota e conta os dias e as horas mesmo sabendo que isso só espicha o tempo, que isso só atrasa relógios, que isso só faz umas borbulhas de ansiedade aqui na barriga e então a gente esfrega as mãos que ficam geladas e com suor frio, e perde a fome e depois quer comer um boi, e depois quer chocolate quente e se emociona com coisas simples, vê beleza nos detalhes, vê um encanto nas coisas de viver, nas formigas e besouros do dia, como o sorriso que você vê no espelho, como a pronúncia diferente de uma palavra em mimetismo de amor, na memória do riso, e nos seus olhos vem uma agüinha quase doce, uns brilhos de amanhecer azulado e você quase pode tocar a delicadeza do dia, você quase inventa uma cor nova para o céu, você quase sente o abrir de todas as flores nas pálpebras, você quase fala todas as línguas e você pega isso tudo, tudo, tudo com as mãos em concha, como quem aninha um filhote de pássaro e coloca entre os seios, no meio do peito, e fica sentindo as asas mexerem um pouquinho, o calor novo, aquele brotar de vida, aquela felicidade que veio morar finalmente em você.
Imagem de Manoela Vaz
por Ticcia, às 10:15 de 03.05.2005 - Categoria: Apoplexia Poética
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