22.04.2005
Conceitos e definições: elucidações adjetivadas em desabafo.
A besta é um animal quadrúpede e de grande porte. A expressão também é utilizada para descrever pessoas de parca inteligência, mas estúpido se aplica melhor nestes casos. Aqui no Rio Grande a gente diz que a pessoa é uma besta quando ela começa a rir do nada com aquele olhar parado de quem está em qualquer outra parte do planeta menos na sua frente. Ou quando ela passa o dia inteirinho cantando baixinho as melodias mais rídicularmente açucaradas que só os cretinos conseguem compor. Também é possível identificar a besta pela expressão facial de contentamento imbecil quando proclama: - Ele tem uma pinta no nariz, tão liiiiiinda! - Claro, com cabelinho e tudo, tipo a bruxa do "Jõao e Maria". - Nããããão, Roberta: é liiiiiiiiiinda. - Ah, deve ser um espetáculo. Mas o maior problema é que em determinados momentos você precisa desabafar assuntos sérios com a besta e não dá, simplesmente não dá: ou você tem pena de retirá-la do encantamento juvenil ou ela faz cara de paissagem e não ouve rigorosamente nada do que você diz. É melhor desistir e procurar colo em outro lugar. Pior do que a besta só o jegue. Sim, o jegue chega ao ponto de lascar o esmalte vermelho das unhas mas não sai da frente do computador nem em caso de incêndio.
Há prazeres que só o capitalismo proporciona a você...
Entrei na joalheria e presentei-me com dois mimos absolutamente fantásticos: um Bvlgari e um Ray Ban. Sinto-me bem melhor agora.
5X BIS
Proponho uma ação judicial para obrigar a LACTA a vender BIS em caixas com 5 unidades em vez de 20, já que a gente não consegue parar de comer enquanto não liquida tudo.
PRESERVANDO A VIDA
Em Bagé, uma menina de 13 anos foi abusada sexualmente pelo capataz da fazenda dos pais. Alegou que a primeira vez foi violentada e nas outras foi constrangida. Engravidou. Registrou ocorrência na Delegacia de Polícia e, com o Boletim de Ocorrência, foi ao hospital fazer o aborto autorizado por lei em caso de estupro. O Hospital negou-se a fazer. Ingressou então na justiça e obteve liminar concedida para interromper a gravidez, apesar da promotoria de justiça ter opinado contrariamente porque, segundo a promotora, a menina teria consentido*. Voltou ao hospital e ainda assim nenhum médico quis realizar o procedimento, alegando problemas de consciência e ética. Houve encaminhamento para Hospitais de Pelotas e Porto Alegre e nesse meio tempo, a promotoria recorreu ao Tribunal de Justiça para cassar a autorização.
*Note-se que a violência é sempre persumida quando a relação sexual é com menor de 14 anos - pelo menos esta é a tese dominante no Ministério Público quando se trata de acusar de estupro; já quando é para realizar aborto, a tese muda? Olha que lindo.
Não se trata de discutir se deve ou não deve, se é bonito ou não é, se é aceito ou não pela religião x, y ou z. O caso é que a LEI diz que é estupro. Ponto. E se a menina prefere não ter a criança, a lei lhe permite não tê-la. Fim.
Se os pais tivesse pego o dinheiro que vão gastar com advogado e passagens e tivessem ido a uma clínica clandestina fazer o aborto, o caso tava resolvido. Sem mídia, sem exposição, sem lei, sem nada. Essa pendenga toda só faz com que cada vez mais as pessoas resolvam as coisas como acham que devem. Lei da selva.
Me dá duas clavas e uma machadinha, por favor.
Notícia na íntegra
aqui.
22 DE ABRIL
Foi hoje! Hoje, olha só, foi hoje que
Portugal descobriu o Brasil.
O Descobrimento do Brasil
(Renato Russo)
(...)
Quem modelou teu rosto?
Quem viu tua alma entrando?
Quem viu tua alma entrar?
Quem são teus inimigos?
Quem é de tua cria?
A professora Adélia,
A tia Edilamar
E a tia Esperança.
Será que você vai saber
O quanto penso em você com o meu coração?
Quem está agora a teu lado?
Quem para sempre está?
Quem para sempre estará?
(...)
Eu sou rapaz direito
E fui escolhido pela menina mais bonita.
Que lindo isso.
DEBANDADA GERAL
Pela queda acentuada do movimento, vocês tudo fizeram feriadão, né, seus arriado?
Eita, que ódio de ser pobre.
MANHÃ DE ABRIL
Houve uma manhã de abril que pertenceu só a duas pessoas. Todas as outras puderam passar por ela, puderam vê-la, sentir-lhe o gosto, o cheiro, o frio que se alternava à sombra com um calor de aconchego ao sol. Todas as outras puderam provar o gosto e o cheiro de café, ouvir a música que se espalhava na rua tocada num piano em pleno passeio público, por orquestras de jovens de cabelos muito estranhos tocando contra-baixo, bandoneón, violino. Todas as outras puderam dançar encarnadas num corpo de sonho de uma bailarina vestida de passado que fazia os paralelepípedos de ribalta. Todas as outras puderam enxergar o azul do céu mais profundo que todos os outros azuis até ali e puderam andar de mãos dadas, se quisessem, puderam sorrir e puderam se ver à distância e se acariciar com o olhar entre todos os outros passantes, entre todas as outras histórias. Mas houve uma manhã de abril que pertenceu só a duas pessoas.
COINCIDÊNCIAS
Recebi o seguinte mail do
Charles Kiefer, meu professor de oficina de literarura:
O romancista e contista norte-americano Morgan Robertson publicou em 1898 um romance chamado Frivolidade. Até aí, nada de mais. Ocorre que o enredo do livro é o seguinte: Um luxuoso navio inglês viajava pelo Atlântico Norte. Era o maior navio de luxo já construído. Dizia-se que era uma embarcação impossível de afundar. Em abril, na viagem inaugural, o transatlântico bateu num iceberg, afundou e causou a morte de centenas de pessoas. Causa da mortandade: falta de barcos salva-vidas.
Outros pormenores: o navio se chamava Titan, tinha 3 hélices, 19m compartimentos à prova d´água e 24 botes salva-vidas. Havia 3 mil pessoas a bordo do Titan, que bateu no iceberg a 25 nós náuticos.
Alguém aí lembra o que aconteceu 14 anos depois, a 15 de abril de 1912, com um transatlântico chamado, coincidentemente, de Titanic? Pois é, coincidências...
Sabem como era o método de trabalho de Morgan Robertson?
O cara não achava fácil escrever, ficava horas olhando pro papel, esperando a "inspiração". De repente, começava a escrever e escrevia sem parar. Morgan referia-se a esse "demônio da inspiração" como sendo um "parceiro astral", "uma entidade espiritual com talento literário".
Vai dizer que não é de arrepiar?
PRA TI, Ó