O filme é Jamie Foxx — concorre ao Oscar de melhor ator por Ray e de melhor ator coadjuvante por Colateral — que para reproduzir com fidelidade as expressões faciais, os gestos exagerados, o jeito trôpego de andar e o tom de voz do astro ao falar, teve a ajuda do próprio Ray. Auxiliou também na composição do personagem os vários anos de estudo do ator (começou a estudar piano clássico aos três anos), que somado a semelhança física, torna verossímil sua interpretação.
Antes de ser aprovado para o papel pelo próprio Ray, Foxx teve de tocar piano com ele por duas horas. No filme, é o próprio Jamie Foxx quem toca o instrumento. E o ator fez questão de usar olhos protéticos que realmente o deixavam cego, o que ocorria cerca de 14 horas por dia durante as filmagens.
Foxx disse que a parte mais instrutiva do preparo para o papel era observar Ray Charles em momentos em que este não sabia estar sendo observado:
"Eu o observava quando falava com outras pessoas, olhava seus gestos, via como ele pedia comida no restaurante, como falava com seus filhos, como fazia seus negócios". E completa:
"Ele me deixava à vontade, mas, ao mesmo tempo, ansioso. Mas, a partir do momento em que nos conhecemos e começamos a tocar piano um para o outro, ficou claro que ele estava me dando sua bênção."
Vão lá ver.