07.12.2005

FALTAS ABENÇOADAS.

por Ticcia, às 15:03 de 07.12.2005 - Categoria: Apoplexia Poética
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TODO TIRANO NO FUNDO É UM FRACO

Sabem o que acontece quando um merda consegue alguma parcela mínima de poder? Ele faz merda, evidentemente. Mas vocês sabem porquê ele faz merda?

Faz por que ele tem a exata noção do quão ínfimo e pequeno é o seu talento, ainda que inconscientemente. Ele admira a criatividade, o senso crítico, o espírito livre e empreendedor, a liderança natural, a extroversão, o carisma, o bom humor do outro, mas não reconheci em si mesmo a capacidade de desenvolver estas características. E como não é capaz de absorver e expandir as características que admira no outro mas não enxerga em si, ele se ressente. Ele inveja.

Contudo, o merda não sabe que é um ressentido, um invejoso. Eventualmente, ele acha que foi injustiçado por Deus, e não por acaso crê ser injustiçado pelos homens em geral. Por que todos paparicam a Fulaninha se eu sou tão mais legal que ela?! Por que, Senhor, as pessoas fazem tudo que o Sicraninho diz se nem chefe o Sicraninho é?!

O merda não está no mesmo degrau, está alguns degraus abaixo. Sabe disto. Sente isto. Jamais admite isso. E como ele precisa chegar ao mesmo patamar e não reconhece em si qualidades suficientes para subir, a única alternativa é fazer com que os que estão em cima desçam até ele. Só que aqui surge um probleminha: alguns estão muito acima dele e, por mais que ele se estique, não conseguirá alcançá-los. Resta aqueles que estão acima, mas não muito: o merda precisa de companhia.

Ele fará tudo o que estiver ao seu alcance para fazer com que as pessoas mais talentosas, mais inteligentes, mais gabaritadas (mas que não estejam tão longe dele a ponto de não alcançá-las), desçam até o seu nível. Usará de todos os artifícios: humilhação, berro, ridicularização, sátira, egoísmo, opressão, ultraje, vexames morais e até ofensas. Vale jogar qualquer pedra para que o outro não se dê conta da superioridade, para que o outro ache que ele, o merda, é o maior ou, caso não ache, seja obrigado a admitir. Não importa se é forçado: o simples ato de admissão de que ele é o melhor, o mais gostoso, o que tem o pau maior, o mais rico, o mais poderoso, o mais inteligente... basta para o seu ego imaturo se alimentar um pouquinho.

Vocês já notaram que este procedimento sempre ocorre com quem não tem condições de responder a altura? O merda sempre exerce seu poder com quem depende financeiramente dele (e fará tudo pra que está dependência nunca termine), com quem não pode afrontá-lo moralmente (filhos é um bom exemplo), com quem não tem artícios articulados de defesa. O merda sempre ataca alguém que não tem a exata noção de seu valor. Alguém que se acha menos, embora não seja.

Agora o que eu gosto mesmo é ver a cara de um merda quando ele se depara com um trator. Alguém que o enxerga, exatamente como ele é e deixa isto bem claro. É um prazer inenarrável. Quem sabe que é bom não tem necessidade de mostrar isto aos outros, e a si mesmo. É e pronto.

por Ro, às 14:01 de 07.12.2005 - Categoria: Crônicas Cretinas
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COJONES E TUDO MAIS.


Há uma carta da Clarice Lispector em que ela refere como um touro castrado se transforma em boi para demonstrar como é perigoso tolher os instintos que possuímos, ainda que os mais incômodos. Esses tempos assisti a um debate interessantíssimo no blog da Cam, minha ruiva preferida, sobre a fodona x a mulherzinha que existe em todas nós. Sobre a necessidade que a gente tem, ou acha que tem, de adotar uma postura blindada, muderrrna, auto-suficiente e independente sem nunca pedir colo, sem desesperar, sem nunca ficar desamparada e precisar de apoio. Depois chora escondida, vai à analista, toma ansiolítico. A discussão acabou concluindo de que somos sim mulherzinhas e daí. Somos também mulherzinhas, ponto. Com relógio biológico, TPM, inseguranças. Quem nos quiser que leve o pacote completo.

Mas aí eu me pergunto o quanto as mulheres tentam fazer dos homens o que eles não podem ser ou podem, sob pena de se tornarem outra coisa. O quando não estamos castrando o touro e o transformando em boi.

Há alguns meses, soube de um dispositivo criado na Alemanha para constranger os homens a fazerem xixi sentados que toca uma gravação cada vez que o moço vai urinar de pé avisando que ele deve sentar para evitar de errar o alvo. Já há mesmo na Alemanha um termo que designa o homem que faz xixi sentado: sitzpinkler. Agora me digam, isso pode dar boa coisa? Lembro do Jack Nicholson no excelente Confissões de Schimdt. Assim que a mulher morre, ele entra no banheiro e já vai sentando, quando dá-se conta que a tirana se foi. Imediatamente fica de pé e molha o banheiro todo num flagrante desagravo à sua masculinidade tolhida. Não que eu ache que sujar a tampa da privada é um ato legítimo, nada disso, mas vamos combinar que a coisa está perdendo o pé e a cabeça.

Homens são homens e é ótimo que continuem assim. Odeiam xópim. Não falam sobre seus sentimentos. Gostam de futebol. Usam a mesa de centro para apoio dos pés. Adoram pornografia. Não sabem se vestir direito. Não distinguem beige de marfim ou areia. Detestam discutir a relação. Têm bons e fiéis amigos homens que eventualmente sabem que não valem nada. O chão do banheiro e o cesto de roupa suja têm a mesma função. O ambiente de oficinas mecânicas lhes é agradável. Gostam de carros. Não resistem a dar uma olhadinha nas bundas que passam. Urinam de pé e eventualmente respingam na tampa. É assim, foram feitos assim, é assim que têm de ser. Podem ser diferentes? Podem, mas não muito, sob pena de se tornarem outra coisa e perderem totalmente a graça. Dá para aperfeiçoar, ganhar jogo de cintura, ler o MPB2, mas sem esquecer que a masculinidade é bonita, é atraente, é excitante - pra quem gosta de homem, claro. Exigir uma atitude totalmente diferente é castrar o touro. Depois quando o cidadão for destinado ao abate e não à reprodução, vão reclamar com o bispo.

por Ticcia, às 12:17 de 07.12.2005 - Categoria: Crônicas Cretinas
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O CALENDÁRIO BUDISTA DO MEGERAS DIZ:






É importante saber exatamente o que você quer, ou vai conseguir, perder e só então perceber que era o que você precisava. Mas mais importante do que isso é procurar saber exatamente o que você não quer, ou um dia vai perceber que você nem tentou conseguir o que precisava.






por Ticcia, às 09:30 de 07.12.2005 - Categoria: Miudezas em geral
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