19.12.2005
E no rádio toca...
Eu sei
Jogos de amor são pra se jogar
Ah, por favor, não vem me explicar
O que eu já sei
E o que eu não sei
O nosso jogo não tem regras nem juiz
Você não sabe quantos planos eu já fiz
Tudo o que eu tinha pra perder eu já perdi
O seu exército invadindo o meu país
Se você lembrar
Se quiser jogar
Me liga... liga
Mas sei
Que não se pode terminar assim
O jogo segue nunca chega ao fim
E recomeça a cada instante
A cada instante
Eu não te peço muita coisa
Só uma chance
Pus no meu quarto seu retrato na estante
Quem sabe um dia eu vou te ter ao meu alcance
Ah, como ia ser bom se você deixasse...
Se você lembrar
Se quiser jogar
Me liga... liga
RONALDINHO GAÚCHO DO GRÊMIO.
O guri da Azenha, filho da D. Miguelina,
é Bi.
PERDIDOS E NÃO ACHADOS.
Da Vinci
Eu já perdi meus óculos, a certeza absoluta de que tudo sempre termina bem, uma lente de contato, as chaves da casa, um cachorro chamado Puff, o olhar de menina, os Natais na casa dos avós, um anel no mar, a confiança cega nos outros, um disco emprestado e não sei quantos livros, um autógrafo da Bethânia, uma árvore de flores amarelas com balanço, o colo grande do meu avô, as memórias inventadas, o gosto por banho de mar, um relógio dourado dentro do ônibus, a fé, papéis dentro de gavetas, anotações de idéias brilhantes, resultado de um exame importante, um brinco de pérola no provador, a coragem inabalável para fazer qualquer coisa, um bônus pra comprar sapato. Às vezes me fazem falta.
FIDING WEBCAM.
Oi, tio...
A pessoa entra na loja de cortinas para verificar o orçamento e escolher os tecidos. Depois de três horas revirando modelagens e estampas, negocia o desconto. E a dona da loja, que é felomenal*, solta:
- Teu pai que vai pagar?
- Nããão, imagina! Dando risada de espanto.
- Ai, desculpe perguntar. Mas tão novinha assim já fazendo tudo sozinha... eu acho um amor, a gente tem que ser independende desde cedo...
- Mas eu não sou novinha, não. Engano bem, isso sim!
- Olha, assim olhando com parcimônia eu diria que tu tens uns 22.
- HAUHAUHAUHAUHAU.
Daí a pessoa sai da loja e enxerga na vitrina uma pretensa mocinha, de rabinho-de-cavalo, camiseta hering com a barriga de fora e mini-saia. Tem algumas velhas balzaqueanas que não tem noção...
*CORTINAGGIO - Rua Câncio Gomes, n. 656, Floresta, Gay Harbour. Fone 51-33468365.
É FANTÁSTICO!
A coisa mais linda do domingão foi a entrevista do Rei pra Chicória Maria, antes do inédito especial de final de ano, que você não pode perder, bicho:
- E você continua supersticioso?
- Eu não sou supersticioso. Eu tenho é Transtorno Obsessivo Compulsivo. Mas os sintomas já estão sendo atenuados.
As maravilhas que um médico-da-cabeça faz por você, não é mesmo! Ainda que após os sessenta anos...
FUTUROS AMANTES
(Chico Buarque)
Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você
BOM A NÃO MAIS PODER.
DESCABIMENTOS.
Hopper
Não vivo nos vãos, não caibo nas frestas, não me esgueiro por orifícios, não preciso de condescendência, não disfarço existência, não passo despercebida, não procuro ser discreta, não finjo que não estou, não banco a transparente, não me escondo atrás de portas, não saio pelos fundos, não pulo janelas, não utilizo passagem secreta, não entro em armário, não evito ser vista, não uso camuflagem, não desapareço na multidão, não fico em esconderijo, não me confundo com a paisagem, não tento não ser notada. Desaparecer não é minha especialidade.
NOVIDADES.
TÔ DE CARA. FIM DE AMIGO.
E daí a pessoa se prontifica a fazer feijoada pra
Clarinha, pra
mãe da Clarinha, pro
pai da Clarinha e para os amigos, dindos, vós, pretendentes, tios e simpatizantes da Clarinha. E faz, claro, que a pessoa adora cozinhar. Compra os ingredientes, faz a feijoada, prepara o arroz, a couve, serve, o pessoal todo se refestela e quase sai de ambulância. Até aí, glória e consagração, não fosse pelo detalhe de que a senhora digníssima mãe da Clarinha comeu um cisco de feijão que nem sujou o prato. Na verdade, tudo indica que era um respingo de feijão que ela nem serviu, deve ter aterrissado lá vindo de um prato servido com mais entusiasmo (suponho que pelo Leandro – esse sim, alegria de qualquer cozinheira). A moça comeu couve e laranja levemente contaminadas de feijão. Um desaforo.
POLÍCIA PARA QUEM PRECISA.
Essa a Cris ouviu no consultório, contada pela mãe da ferinha:
O guri tinha feito uma malcriação qualquer e ela mandou, muito didaticamente, que ele fosse para o quarto pensar no que tinha feito para mais tarde conversarem.
- Já pensou no que fez?
- Já.
- E então? Vai pedir desculpas?
-Não, quero fazer outra coisa.
- O que?
- Quero trocar de mãe.
É o que eu digo senhoras e senhores, democracia é sempre um perigo. Há déspotas em todos os lugares e de todos os tamanhos.