07.11.2005

COMO DEVE SER.

Eu lembro do dia seguinte ao que perdi a virgindade. Sim, claro, também lembro do próprio dia, mas isso é outro papo. Meu namorado entrou no meu quarto (que então se localizava na casa dos meus pais, ora veja) para me acordar com um gigantesco buquê de rosas. Logo em seguida, naquele mesmo dia, contei para minha mãe, que ficou muito emocionada. Depois ela contou para o meu pai, que a princípio não acreditou. Depois de chorar no banheiro, ele veio falar comigo para dizer que o que eu tinha de mais valioso era eu mesma. Lembro de não achar nada careta isso tudo. Achei bonito. As rosas, pai e mãe. Só muito depois de ouvir as histórias da perda de virgindade das minhas amigas me dei conta de como a minha história destoava, como parecia nonsense comparada à das minhas amigas. Eu, que tinha deixado se ser virgem antes de todas elas, com aquela história absolutamente careta. Nada de banco de automóvel, banheiro de festa, baile de carnaval, nada de varanda de casa, arbustos do clube, nem de esconder pra sempre camisinha e anticoncepcional ou de mentir para os pais que ia dormir na casa da fulana. Nada. Até destoar eu destoava como tinha que ser.

por Ticcia, às 16:57 de 07.11.2005 - Categoria: Estórias da Carrocinha
Ver Comentários

Aviso aos Navegantes...

Senhoras e senhores da platéia,

vim informar-lhe que, embora condoída e com muita pena dos senhores, lamentamos profundamente pelos infelizes, pelos doentes da alma, pelos desgraçados, arrasados, mal amados, destruídos, invejosos, carentes, também pelos estúpidos e pelos ridículos, pelos azarados, magoados, caretas, pelos pobres de espírito, pelos ateus, tiranos, fracos, desesperados, ordinários, egocêntricos, pelos deprimidos, preguiçosos, enfadonhos, repulsivos, pelos irascíveis, repugnantes, asquerosos, pelos nojentos, pútridos, depressivos, hostis, melancólicos, agressivos, pelos grosseiros e sórdidos, pelos egoístas, mesquinhos, perdidos, cruéis, miseráveis de emoções, perversos, desprezíveis, mas estamos naquele estado de contentamento abobalhado que só as criaturas felizes e bem amadas conseguem compreender. Pela primeira vez na história do MM's, as duas juntas. Portanto, quem não gostar de açúcar pegue a mochila e dê outro rumo a sua vida.
por Ro, às 13:55 de 07.11.2005 - Categoria: Circunstâncias Circunspectas
Ver Comentários

Da Série CORRESPONDÊNCIA SECRETA - Abuso descarado e florido.

- Alô!
- Oi, mãe.
- Oi, filha!
- Mãe, sabe as margaridas que tinham em volta da nossa casa quando eu era criança?
- Sei.
- Tu sabes se aí em Pelotas tem onde comprar? Aqui não se acha.
- Posso ver. Tu queres?
- Eu quero que tu plantes. Hahahaha.
- Hahahaha. Tá bem, vou ver na floricultura de uma amiga e planto pra ti.
- Eba!


O melhor de ficar adulto é que quando a gente vira criança por uns momentos, os pais aproveitam e mimam muito mais.

por Ticcia, às 11:58 de 07.11.2005 - Categoria: Correspondência Secreta
Ver Comentários

E no rádio toca (beeeeeeeem alto)...

For once in my life
I have someone who needs me
Someone I've needed so long
For once unafraid
I can go where life leads me
And somehow I know I'll be strong

For once I can touch
What my heart used to dream of
Long before I knew
Someone warm like you
Could make my dreams come true

For once in my life
I won't let sorrow hurt me
Not like it's hurt me before, oh
For once I've got someone
I know won't desert me
'Cause I'm not alone anymore

For once I can say
This is mine, you can't take it
As long as I've got love I know I can make it
For once in my life
I've got someone who needs me


por Ro, às 11:41 de 07.11.2005 - Categoria: Informes Infames
Ver Comentários

ÀS VEZES.


Klimt


Eu choro me olhando no espelho. Eu como sem fome. Eu me masturbo quando acordo. Eu bebo sozinha. Eu ando de pés descalços. Eu leio um livro só até a metade. Eu começo a escrever sem saber o que vai sair. Eu tenho orgulho dos meus pecados. Eu minto para não magoar. Eu digo que está tudo bem e eu queria era dar um soco no estômago. Eu duvido dos outros. Eu tenho vontade de nadar. Eu deixo a louça suja para o outro dia. Eu saio com pouca roupa e sinto frio. Eu me sinto parecida com a minha mãe. Eu tenho medo que os que eu amo morram. Eu sonho que estou voando. Eu tenho dificuldade de respirar quando deito. Eu frito ovo de madrugada. Eu estranho meu próprio nome. Eu fico tonta quando leio muito rápido. Eu preciso de silêncio. Eu tomo chá quente para desentupir o nariz. Eu sou tão feliz que dá medo. Eu vou passear debaixo de árvores para chover flores em mim. Eu me sinto muito só. Eu gosto do que eu escrevo. Eu duvido que eu faça algo realmente bem. Eu sinto saudades da pré-escola. Eu conto histórias para eu dormir. Eu tento imaginar um rosto em cada detalhe e não consigo. Eu penso em pornografia um dia inteiro. Eu danço sozinha em casa. Eu estou tão cansada que não consigo dormir. Eu faço bola com o chiclete. Eu anoto números errados quando me ditam.




por Ticcia, às 10:48 de 07.11.2005 - Categoria: Circunstâncias Circunspectas
Ver Comentários

ALTA PRODUÇÃO CULTURAL MEGERÍSTICA.

Lembram da nossa enquete sobre o que era coisa de mulher? Então. Serviu de subsídio pra peça do maridón da Carol. Agora vam'lá conferir:



por Ticcia, às 09:20 de 07.11.2005 - Categoria: Ali Jabah
Ver Comentários