23.11.2005

ANACRONISMOS METEREOLÓGICOS.

Mais de onze e meia da noite, 30º em Porto Alegre. Parece que tiraram o recheio de Hilda, a gata, que está molenga estirada sobre a mesa de vidro. Cerveja gelada, Vinicius e Tom. Eu sei que vou te amar. Uma sensação de ter voltado no tempo. Rio de Janeiro. Falta a janela com vista de Copacabana, entre outras coisas. Previsão de temporal na madrugada. Essa sim é uma boa notícia.

por Ticcia, às 23:50 de 23.11.2005 - Categoria: Miudezas em geral
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MONÓLOGO DE ORFEU.

Mulher mais adorada!
Agora que não estás, deixa que rompa
O meu peito em soluços! Te enrustiste
Em minha vida; e cada hora que passa
E' mais porque te amar, a hora derrama
O seu óleo de amor, em mim, amada...

E sabes de uma coisa? cada vez
Que o sofrimento vem, essa saudade
De estar perto, se longe, ou estar mais perto
Se perto, - que é que eu sei! essa agonia
De viver fraco, o peito extravasado
O mel correndo; essa incapacidade
De me sentir mais eu, Orfeu; tudo isso
Que é bem capaz de confundir o espírito
De um homem - nada disso tem importância
Quando tu chegas com essa charla antiga
Esse contentamento, essa harmonia
Esse corpo! e me dizes essas coisas
Que me dão essa fôrça, essa coragem
Esse orgulho de rei. Ah, minha Eurídice
Meu verso, meu silêncio, minha música!
Nunca fujas de mim! sem ti sou nada
Sou coisa sem razão, jogada, sou
Pedra rolada. Orfeu menos Eurídice...
Coisa incompreensível! A existência
Sem ti é como olhar para um relógio
Só com o ponteiro dos minutos. Tu
És a hora, és o que dá sentido
E direção ao tempo, minha amiga
Mais querida! Qual mãe, qual pai, qual nada!
A beleza da vida és tu, amada
Milhões amada! Ah! criatura! quem
Poderia pensar que Orfeu: Orfeu
Cujo violão é a vida da cidade
E cuja fala, como o vento à flor
Despetala as mulheres - que êle, Orfeu
Ficasse assim rendido aos teus encantos!
Mulata, pele escura, dente branco
Vai teu caminho que eu vou te seguindo
No pensamento e aqui me deixo rente
Quando voltares, pela lua cheia
Para os braços sem fim do teu amigo!
Vai tua vida, pássaro contente
Vai tua vida que eu estarei contigo!


(Reproduzido do livro 'Orfeu da Conceição', Vinicius de Moraes, Livraria S. José, Rio, 1960.)


por Ticcia, às 22:44 de 23.11.2005 - Categoria: Apoplexia Poética
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BELÍSSIMO

Senhoras e senhores da platéia, fui só eu ou vocês também viram o Vladimir Brichta saindo do banho? Mas o que é aquilo, minha Nossa Senhora dos Bofes Bem?!

por Ro, às 22:01 de 23.11.2005 - Categoria: Boca no Trombone
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Da Série A SUPERAÇÃO MASCULINA : falar, falar, falar... muito bem, Fliper!

- Você é a minha bússola. Sim, uma bússola feita pra mim, já que me deixa desenhar o Norte onde bem entender. Depois, indica o caminho de casa, do eixo, do centro. Assim, posso me perder que você sempre me acha e me traz à tona pra respirar. É, acho que é isso... você é meu alívio. Sossego em meio a confusão. Não, você não é bonança depois da tempestade, que isso seria muito sem graça. Na verdade, você senta na grama comigo pra ver o clarão do relâmpago nos meus olhos e sorri, segurando a minha mão e espantando o medo.

por Ro, às 16:32 de 23.11.2005 - Categoria: Correspondência Secreta
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CADA UM C'OS SEUS POBREMA.

Quantas vezes a gente precisa chutar um cachorro morto até ter certeza de que, afinal, ele está morto? Quantas precisar para ter certeza, oras. Se chutou 20 vezes e ainda tem uma esperancinha que o cão possa estar vivo, chuta de novo, põe estetoscópio pra ver pulsação, certifica-se pela enésima vez que o bicho não tá respirando. Não interessa que TODO O RESTO DO MUNDO já saiba que o cachorro tá mortim da silva. O que interessa é que você, amigo, tem que ter certeza absoluta do falecimento do bicho. Sabe por quê? Porque bicho que a gente não tem certeza absoluta de que está morto, a gente não enterra e, se enterra, depois fica se remoendo de remorso e se perguntando “Mas tava morto mesmo?” “Mas e se eu tivesse levado ao veterinário?” “Mas se eu tivesse...” e aí não raras vezes vai cavoucar no túmulo ou fica sentado na lápide até sabe deus quando.

Não, não enlouqueci com essa história de cachorro. Isso é o que a gente faz num relacionamento que já foi pro beleléu. A gente fica chutando e chutando o cachorro até se convencer que o infeliz foi-se. Às vezes todo mundo já viu, sabe, tá careca de saber, não resta a menor dúvida que aquilo ali já deu o que tinha que dar, que dali pra frente é pura perda de tempo e energia. E a gente se convence? Não. Não enquanto não temos certeza da impossibilidade. Pode ser que até ainda haja amor, pode ser que às vezes seja legal, pode ser que, enfim, pode ser, mas o fato é que quando o relacionamento não tem mais como sobreviver, a ficha custa a cair. Há quem se convença disso mais rápido, há quem demore mais, mas a gente só começa a desamar quando tem certeza absoluta da inviabilidade. Antes disso, enquanto há uma poeirinha de esperança, um fiozinho de pseudo-expectativa, não dá. Primeiro a gente tem que ter certeza que o cachorro morreu, só depois consegue enterrar.

Há quem só consiga se convencer depois que esgotou tudo que poderia fazer, expiou a culpa de todas as formas possíveis e imagináveis, tentou tudo e mais um pouco, uma, duas, três, dez reconcilhações, fez de conta que agora vai dar certo, vai ser tudo diferente, jogou baixo, se humilhou, forjou encontros casuais, ligou por besteira, implorou, teve 467 conversas definitivas. Isso é errado? Não. Cada um chuta o cachorro tantas vezes quantas forem necessárias para se convencer que tá na hora de enterrar. Normalmente ninguém se convence pura e simplesmente com o atestado de óbito. É assim. As idas e vindas são de praxe. Quem nunca chutou cachorro morto que vá arrumar sarna pra se coçar.

por Ticcia, às 15:43 de 23.11.2005 - Categoria: Crônicas Cretinas
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Enquanto isso, em Fred West....

A título de introdução, no melhor salão de Fred West, que em nada perde para os de Gay Harbour:

mão e pé: R$ 10,00
virilha: R$ 4,00
virilha completa: R$ 5,00


Imediatamente perguntei: Mas o que seria virilha completa, e por este preço? e a explicação foi de que na virilha completa se retirava todos os pelinhos e na virilha normal se retirava o que a criatura quisesse ou, mais especificamente, o que o digníssimo da criatura quisesse. É exatamente isso: o homem determinando a estética da virilha feminina.

E eu parei pra pensar na evolução das espécies. Me deu vontade de ligar para a dona Libânia pra perguntar se alguma vez na vida o vovô tinha opinado na depilação dela. A resposta é tão evidente que a pergunta se tornaria estúpida: qual o homem que há 50 ou 60 anos atrás iria se meter nesses assuntos?!

Vejam os senhores como a Revolução Sexual da década de 60 deixou suas marcas em assuntos aparentemente tão menores! Eu tenho vontade de beijar as feministas que queimaram sutiens em praça pública a cada vez que me deparo com estas singelas constatações de conquistas. Não que eu tenha ou venha a praticar algum desses atos radicais em defesa dos direitos e deveres iguais para ambos os sexos. Costumo exercitar esta defesa de outras formas e tenho cá minhas dúvidas acerca da chamada "evolução" em determinadas áreas.

Alguns dos senhores irão de se perguntar: mas do que essa louca está falando!? Desde quando homem opinando em depilação de virilha é conquista feminina? Pois é, sim senhores.

Há aquelas que fazem como bem entendem e melhor lhes agrada e há aquelas que sentem prazer em agradar a eles, cuja escolha, mas do que no bigodinho hitleriano, na mata selvagem ou no coração/margarida/meia-lua, se encontra no prazer do casal - que perpassa o olfato, o tato, o paladar e a visão pra se alojar no deleite das preferências satisfeitas. E buscar o contentamento sexual, inclusive através do olhar de agrado do parceiro, é uma das mais importantes conquistas femininas.

Agora, evidente que o relevante mesmo é você exercitar essa conquista pagando quatro ou cinco pila, que você não é palhaça!

por Ro, às 14:04 de 23.11.2005 - Categoria: Crônicas Cretinas
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DIVERSÃO E ARTE, PARA QUALQUER PARTE.


Imagem de Adriana Vasquez - Sem Título

Aqui.

por Ticcia, às 11:39 de 23.11.2005 - Categoria: Artes e Artifícios
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AS FOTOS DOS AUTÓGRAFOS by Facelo.



No Flickr, mais fotas da Feira.



por Ticcia, às 10:06 de 23.11.2005 - Categoria: Fatos e Fotas
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SOS TICCIA.

Pois Ticcinha se superou. Depois de andar sob dois dias de calor que ultrapassaram em muito os 30ºC e descobrir umas cocerinhas e bolhas, tendo descartado completamente a falta de banho, a catapora ou a sarna, a moça acaba de descobrir que o botão da calça jeans e a fivelinha da sandália (metais não nobres o suficiente para andarem se encostando em sua rica pele acetinada) estão lhe produzinho uma virulenta alergia. A dermatologista acaba de informá-la que a temperatura muito alta, aliada ao suor, potencializa o problema.

Ai, meus sais! Preciso urgente de um chalet nos Alpes. Esse calor tá me ma-tan-do.
Tô parecendo um chokito!


Eu te digo, bem diz a minha santa Megera Mãezinha: ovelha não é pra mato.

por Ticcia, às 08:43 de 23.11.2005 - Categoria: Miudezas em geral
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SE ORIENTE, RAPAZ.

Doutor Inagaki está atendendo neste endereço.



por Ticcia, às 08:30 de 23.11.2005 - Categoria: Ali Jabah
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