22.11.2005

O MEU AMOR

(Chico Buarque)

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz



por Ticcia, às 23:25 de 22.11.2005 - Categoria: Apoplexia Poética
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SOS JOÃO PEDRO.

Gentem, a Pri manda um mail pedindo pra divulgar a história do João. Dêem uma olhada lá e vejam se podem fazer alguma coisa. Todo mundo pode, né? Alguma coisa é sempre bem pouquinho.

por Ticcia, às 16:30 de 22.11.2005 - Categoria: Ali Jabah
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QUERERES.


Klimt





Eu não quero só o viveram felizes para sempre. Não quero só sorrisos brancos e hálitos puros. Não quero só comercial de margarina, manhãs solares e pão quentinho. Não quero só os sucessos comemorados ao som de Carruagens de Fogo. Não quero só frutas frescas, legumes verdes, comida pronta. Não quero só vitórias, grandes eventos, gloriosas repercussões. Não quero só roupa engomada, sapatos lustrosos, capa de chuva. Não quero só pontualidade, reservas feitas, menu principal, elogio e desfile em carro aberto. Não quero só sinceridade, melhores intenções, cuidado exemplar. O amor se faz também dos becos, dos reveses, das promessas descumpridas, dos fracassos, das tristezas, dos dias de chuva, da palavra amarga, das mágoas, dos segredos, das cicatrizes escondidas, dos pesadelos a meio da noite, de perder o norte, da massa requentada, das sobras de ontem, de pneu furado, de chorar no banheiro, das decepções, de ficar doente, de mentiras encobertas, de fazer tudo errado. Isso tudo também quero.








por Ticcia, às 16:25 de 22.11.2005 - Categoria: Circunstâncias Circunspectas
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Porque eu te amo...

Amiga-irmã-caminhoneira, seu bofe bem constuma ler o seu blog.

Daí, num lindo dia de verão - ele no meio do mar e você no meio dos processos - o gostoso resolve interromper o lúdico e lírico assunto para colar na telinha do MSN comentários do seu blog. Isso mesmo, assim, do nada. Só colou o comentário e seguiu falando rosas e perfumes.

Você, que não é o Jatobá, percebe algo bastante aromático no Reino da Irlanda e, imediatamente, seu cérebro dispara o rol de opções...


Alternativa A - Enquanto falava com você, o bofe bem também conversava com sua sogra, e resolveu dividir com mamãe a admiração dos outros pela mulher dele, mas se "enganou" e colou o comentário na caixinha errada.

Alternativa B - Ele ficou encantado com a rima e a métrica, a nível de estética metafísica, do gentil comentário e apenas quis dividir a descoberta com você.

Alternativa C - Amiga, leia novamente! O comentário é tão absolutamente original e único que seria impossível a qualquer ser humano não notá-lo piscando em neon verde-limão no meio dos outros preto-e-branco. Tsc tsc tsc... acorda Katia Cega!

Alternativa D - Ele apostou que nunca mais faria perguntas controladoras e, muito esperto que é, apenas colou o comentário sem ponto de interrogação, numa clara e descarada tentativa implícita de questioná-la acerca do conteúdo do mesmo e imiscuir-se na sua relação com seus leitores.

Alternativa E - A explicação fajuta dele de que estava situando o comentário no contexto da conversa. Sei...


por Ro, às 14:39 de 22.11.2005 - Categoria: Estórias da Carrocinha
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UM QUARTO COM VISTA, CAMA KING E DOIS TAMPÕES DE OUVIDO, POR FAVOR.

Se você dorme feito uma pedra, é surdo ou pega no sono enchendo a cara de barbitúricos, desconsidere. Mas se você é normal ou, como eu, tem sono leve e delicado e acorda com um alfinete despencando no banheiro, vai entender o desabafo.

Porque diabos os hotéis podem até ter janelas anti-ruído com vidro duplo e fecho hermético mas nunca têm uma política de silêncio efetiva nos corredores ou portas com isolamento acústico? Será que todo mundo dorme, mesmo com uma britadeira sob a janela? Que não são acordados pelas camareiras comentando a novela de ontem ou pelo hóspede mal educado que bate a porta em vez de fechá-la? Já nem falo no requinte de pedir nas instruções de cabeceira aos hóspedes que mantenham silêncio ao entrar e ao sair, por que isso está no campo da boa educação, mas será que nunca passou pela cabeça que aspirar quartos, fazer reparos ou repor frigobar às nove horas da manhã pode acordar o coitado do quarto ao lado?

Tá certo que muita gente está hospedada a trabalho, mas oras, cada um trabalha na hora que lhe apetece, ou na hora que pode. Além disso, há quem esteja a passeio ou em férias, ou hotel não serve mais pra isso? Esses infelizes não tem direito de dormir o quanto quiserem na sua confortável cama king size com lençóis de algodão egípcio? O que faz as grandes redes de hotéis (ou as pequenas, ou as minúsculas) darem tão pouca atenção a algo tão importante quanto o silêncio? Eu troco o meu edredon de pluma de ganso por silêncio absoluto, minha banheira de hidromassagem por horas de sono tranqüilo, minhas toalhas felpudas por um quarto sem barulho. Tudo isso sem pestanejar.

A grande diferença de um hotel para um prédio de apartamentos residenciais é que ali, atrás daquela porta, está a cama do vivente, não a sala, precedida do hall, separada do quarto por outra porta que trabalha para o isolamento acústico. É como se estivessem circulando e batendo papo dentro da sua casa. A gente está lá pagando para se incomodar, literalmente.

Por várias vezes, mesmo hospedada em bons hotéis, fui acordada por martelos de manutenção, furadeira, camareiras conversadeiras, aspiradores de pó, sem falar do abre e fecha da porta da despensa de material de limpeza e dos hóspedes sem noção.

Se eu fosse a Sra.Chieko Aoki, gênia da hotelaria nacional e dona da rede Blue Tree, incorporaria ao marquetingue dos meus hotéis a distinção pelo silêncio oferecido aos hóspedes, em respeito do seu sagrado direito de dormir. A que horas for. Eu até pagaria mais caro por isso.

por Ticcia, às 14:18 de 22.11.2005 - Categoria: Boca no Trombone
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O primeiro ocupante

João Paulo Cuenca*


O maior prazer que tenho quando me hospedo em um bom hotel é a impressão de ser o primeiro ocupante do quarto. Como se fosse o primeiro a abrir a porta – o prédio recém-construído, e eu hóspede inaugural. O tampo da privada tem um lacre de papel, o banheiro está desinfetado, o chão aspirado, os lençóis limpos e esticados. Com esses e outros cuidados, temos a impressão de que ninguém jamais dormiu naquela cama, assoou o nariz na pia, mijou no chuveiro, sentou-se no vaso ou manchou o forro do colchão. Os espelhos da parede e do armário também parecem nunca terem refletido corpos de estranhos, brigas de casal, crises de choro e cenas de sexo – bem ou mal remunerado.

A assepsia da suíte é ilusória. Nos faz acreditar em certas mentiras. Por exemplo: que um senhor de meia-idade, participando de uma convenção de dermatologistas, jamais se masturbou sobre a colcha assistindo a crianças dançando em um programa vespertino qualquer. Ou que nunca um bebê sujou as calças, uma criança teve pesadelos terríveis, uma menina, triste sonhos de paixão, um casal, noites sem calor – cada um voltado para um lado da parede. Que ali ninguém tenha começado a morrer e que talvez outra vida não tenha sido gerada. Tudo isso não acontece sobre a cama onde você joga seu corpo depois de tirar os sapatos, sobre o travesseiro onde pousa a cabeça e cochila tranqüilo.


[clique aqui para ler o texto na íntegra]
por Ro, às 11:11 de 22.11.2005 - Categoria: Crônicas Cretinas
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E no rádio toca...


Wassily kandinsky
Eu encontrei-a quando não quis
mais procurar o meu amor
e quanto levou foi pra eu merecer
antes de um mês eu já não sei
e até quem me vê, lendo jornal
na fila do pão sabe que eu te encontrei

E ninguem dirá
que é tarde demais
que é tao diferente assim
o nosso amor
a gente é quem sabe pequena

Ah vai! Me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém
a fim de te acompanhar
e se o caso for de ir a praia
eu levo essa casa numa sacola

Eu encontrei-a e quis duvidar
tanto clichê
deve não ser
voce me falou
pra eu não me preocupar
ter fé e ver coragem no amor
e só de te ver
eu penso em trocar
a minha tv num jeito de te levar
a qualquer lugar
que você queira

E ir onde o vento for
e pra nós dois
sair de casa já é
se aventurar

Ah vai! Me diz o que é o sossego que eu te mostro alguém
afim de te acompanhar
e se o tempo for te levar eu sigo essa hora
pego carona
pra te acompanhar



Rodrigo Amarante

por Ro, às 10:35 de 22.11.2005 - Categoria: Dicas Divinas
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QUE DASLU, QUE NADA. O HYPE AGORA É OUTRO.

A ONG carioca Davida, criada para defender o direito das prostitutas no estado, está engajada num projeto de revitalização do centro do Rio. A proposta é coordenar peças teatrais, noites de seresta e cobrar mais arrumação e limpeza dos estabelecimentos comerciais. Mas o melhor de tudo, a grande sacada, foi a criação de uma grife especializada em roupas para "profissionais do sexo e simpatizantes", a DASPU.

Solineuzza e Delaidinha estão de sacolão pronto para irem ao Rio. Já tem lista de encomenda e tudo.
Uma coisa dábliu dábliu dáblio adoreimuito ponto com ponto br barra dá-me dos.

Notícia daqui.

por Ticcia, às 09:11 de 22.11.2005 - Categoria: Dicas Divinas
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POR FAVOR RÔ, ME MANDA O JESUS!

Você sabe o que é ter uma estagiária over reacting?

Ela não sorri, gargalha.
Ela não se irrita, tem um ataque de nervos.
Ela não conta uma história, interpreta uma peça teatral.
Ela não conversa, bate altos papos.
Ela não fica feliz, fica exultante.
Ela não cumprimenta, saúda efuzivamente.
Ela não trabalha, cumpre uma missão.
Ela não dá uma opinião, dá uma palestra.
Ela não é prestativa, é puxa-saco.
Ela não toma iniciativa, faz uma campanha.
Ela não admira, idolatra.

E pra completar, não é só limitada: é burra.

Aí, por mais que você procure antipatizar com a moça, você a DETESTA.

Ommmmmmmmmmmmmmmmmm. Ommmmmmmmmmmmmmm.

por Ticcia, às 08:50 de 22.11.2005 - Categoria: Boca no Trombone
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