31.10.2005

Desejo nem tão (in)consciente


Ela estava com o punho machucado de tanto esmurrar a parede. E dolorido e manchado e sombrio e precisava de descanso e força. Tinha que ir à floresta. No subterrâneo fechado e escuro, onde rastros de luz iluminam o oceano, onde nesgas de sol permeiam as folhas e o cheiro de terra fértil. E o hematoma não permitia a caminhada, e era preciso correr era preciso escalar montanhas era preciso fugir era preciso encontrar o exército era preciso descer vales e rastejar. E rasterar. E rasterar. Era preciso passar pelos arames farpados e pelas encostas íngremes e enfrentar o velho poderoso e a mulher ríspida, que pronunciava palavras mágicas para que ela não enxergasse o todo e despencasse da montanha. Ela estava com o punho machucado de tanto esmurrar a parede. E dolorido e manchado e sombrio e precisava de descanso e força. Ele a encontrou. Ela berrou alto e o mandou embora. Ele não foi. E a segurou com força e colocou a tipóia e deu o braço para ela descansar e a deitou no meio do mato e a encaixou no seu peito e a fez dormir. Quando ela acordou ele foi encontrar o exército e ela foi subir a montanha.

por Ro, às 14:29 de 31.10.2005 - Categoria: Apoplexia Poética
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26.10.2005




Seu corpo é fruto proibido
É a chave de todo pecado
E da libido, e prum garoto introvertido
Como eu, é pura perdição.


É um lago negro, o seu olhar
É água pura de beber, se envenenar
Nas suas curvas derrapar, sair da estrada
E morrer no mar.





por Ro, às 11:37 de 26.10.2005 - Categoria: Apoplexia Poética
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25.10.2005

AL BERTO

(...)
vem comigo
praticar essa arte imemorial de quem espera
não se sabe o quê junto à janela
encolho-me
como se fechasse uma gaveta para sempre
caminhasse onde caiu um lenço
mas levanto os olhos
quando o verão entra pelo quarto e devassa
esta humilde existência de papel

vem comigo
as palavras nada podem revelar
esqueci-as quase todas onde vislumbro um fogo
pegando fogo ao corpo mais próximo do meu


por Ticcia, às 15:56 de 25.10.2005 - Categoria: Apoplexia Poética
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21.10.2005

CANTADA

(Adriana Calcanhoto)

Depois de ter você
Pra quê querer saber
Que horas são?
Se é noite ou faz calor
Se estamos no verão
Se o sol virá ou não
Ou pra que é que serve uma canção
Como essa?
Depois de ter você
Poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas?
Pra quê amendoeiras pelas ruas?
Para que servem as ruas
Depois de ter você?




por Ticcia, às 10:05 de 21.10.2005 - Categoria: Apoplexia Poética
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20.10.2005

ESTRANGEIRA.

por Ticcia, às 14:51 de 20.10.2005 - Categoria: Apoplexia Poética
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19.10.2005

TODO SENTIMENTO

(Chico Buarque e C. Bastos)

Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar e urgentemente
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.



por Ticcia, às 00:31 de 19.10.2005 - Categoria: Apoplexia Poética
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17.10.2005

NÃO DISCUTO

por Ticcia, às 23:27 de 17.10.2005 - Categoria: Apoplexia Poética
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07.10.2005

NÃO DISCUTO

por Ticcia, às 13:57 de 07.10.2005 - Categoria: Apoplexia Poética
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04.10.2005






















E um sol rasgado no entardecer me faz crer que é possível sempre mais depois da chuva benfazeja da manhã. Que venham as estrelas e os faróis!

por Ro, às 18:06 de 04.10.2005 - Categoria: Apoplexia Poética
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