31.01.2005

SOB MEDIDA

Ela disse que não estava bem. TPM, dor de cabeça, irritação. Avisou que gostaria de ficar só, que leria, ouviria música, relaxaria e dormiria cedo. Ele preocupou-se, ela disse que não havia porquê.

Seis da tarde, temporal.

Ela deitada no sofá, livro na mão, xícara de chá, Miles. Ouve passos no corredor, um ic... – ic... – ic... – ic... de tênis molhado. Tem a impressão que os passos se detém em frente ao seu apartamento. Ela suspira alto pensando no incômodo de receber quem quer que fosse. Escuta um farfalhar de papel celofane. A campainha toca, os passos afastam-se em desabalada correria: ic-ic-ic-ic-ic-ic-ic...

Ela levanta-se, abre a porta e lá, abandonado sobre o tapete da entrada, um imenso buquê de rosas vermelhas encharcado de chuva.

por Ticcia, às 16:57 de 31.01.2005 - Categoria: Estórias da Carrocinha
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É HOJE



A Marida tinha feito um post dizendo que vai morrer de tanto chorar, mas a imagem não abriu.
Daí eu resolvi postar no lugar, dando o recado.

MUITO KLEENEX NESSA HORA.

por Ticcia, às 14:33 de 31.01.2005 - Categoria: Ali Jabah
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E NO PRINCÍPIO ERA O CAOS...

Sou uma desordeira por natureza. Veja bem: desordeira, não desorganizada. Eu me organizo perfeitamente na desordem. Minha mesa, gentilmente apelidada pelos colegas de trabalho de “sumidouro”, só engole os papéis deles. Os meus estão sempre lá, exatamente onde eu os deixei, entre uma pasta e outra, no canto esquerdo da gaveta do meio, sobre o pacote de bolachas, na terceira pilha de trás pra frente, segundo monte à direita. Minha memória é visual. Sei que papel está onde. Enquanto procuro a caneta, o cérebro grava o que os olhos vêem, mas não enxergam. Depois, ao ser acionado para buscar determinada coisa, vasculha o backup.

A única situação em que a desordem não é bem vinda é quando acontece um grande revés. Quando acontece algo muito grave, que me abala muito, que modifica totalmente o que eu havia planejado, contraria todos as minhas expectativas, tenho necessidade de pôr coisas em ordem. Desconfio que inconscientemente eu ache que tudo deu errado porque eu não fui uma boa menina, não arrumei as gavetas, não mantive o guarda-roupas em ordem, negligenciei a ordem alfabética, crescente, esquerda para direita, de baixo para cima, a forma própria, a ordem do mundo pré-concebida.

Quando isso acontece, cumpro uma espécie de penitência. Dobro as roupas cuidadosamente, separo por cor, empilho com esmero, esvazio gavetas, descarto papéis, classifico, rotulo, coloco em pastas, seqüência correta de arquivos, padrão metodológico adequado. Tento trazer pra dentro, a ordem cartesiana de fora. Nem sempre funciona.

por Ticcia, às 10:56 de 31.01.2005 - Categoria: Crônicas Cretinas
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