26.04.2005
Umas com lycra , outras com algodão!
Estava a Megera distraidamente fazendo compras no shopping. Caminhando pelo meio das araras e fazendo beicinho, uma certa desqualificada que, ao avistar a Megera, prontamente franze a testa e grita:
- Roberta! Tu, na Renner?! Tá fazendo o quê aqui?
- Comprando calcinhas.
- Na Renner!? Tu?!
- Queridinha, o meu dinheiro não é capim. Não vou comprar o mesmo produto pelo triplo do preço só por que está sendo vendido numa loja com a minha cara.
- E as rendas finas?
- Presta atenção no que eu vou te explicar: com trinta anos finalmente a gente aprende que conforto é o que conta. Seda para homicídio e algodão para os delitos menores. Branquinha bem basiquinha e sem costura.
- Sem renda, sem babado, sem florzinha de strass, sem fru-fru, sem nada!!! Branca, apagada, sem vida!!! Mas tu é uma pobre sem gosto, mesmo! Imagina se eu não ia usar tanga de oncinha, com tudo que eu tenho direito: bordada, com lacinhos e muito brilho. Ai, eu ia ficar linda, praticamente uma pantera!
Agora adivinhem QUEM eu tive o desprazer de encontrar...
20.04.2005
Fartura, de farta tudo.
Ro diz: Quero um namorado médico. De preferência da cabeça, mas pode ser de qualquer outra especialidade, inclusive legista.
Shane diz: Tem um amigo do JM que eu posso te apresentar.
Ro diz: Como é?
Shane diz: Não é tão feio.
Ro diz: Ai amiga, se não é TÃO feio é tudo que eu preciso.
12.04.2005
Da série MUI AMIGA 2
- Solineuzza, a Ticcia comprou aquela bolsa linda que a gente tinha gostado, te lembra?
- Ah, sim, um luuuuuuuuuuuuuxo, pra ficar abrindo e mostrando o forro de cetim rosa pink!
- Pois é. Má influência dessa aí, ó.
- Ti, sabe qual tu tinhas que comprar? Aquela laranja de chiffon, com guarda-sóis bordados de canutilho vermelho, com um fecho deferentex que a gente viu no Iguatemi, lembra?
(E a lombriga já foi abrindo um bocãoooooooooo...)
Da série MUI AMIGA
- Ai amiga, vamos passar ali na vitrine da Memphis?
- Na vitrine?
- É.
- Tá.
- Ai, que bolsa liiinda. E aquele sapato tá me chamando...
- Roberta... era só a vitrine.
- Só pra ver como fica.
Ela experimenta o sapato 34, que fica imenso. Não contente, olha TODAS as bolsas da loja. Enquanto isso, a amiga que não tem o que fazer, coitada, avista uma bolsa in-crí-vel.
- Ai, Ti, que linda. É a tua cara.
- A-hã.
- Mesmo.
Ticcia larga a bolsa na prateleira e repete mentalmente o mantra das mulheres controladas: “Eu não preciso de mais uma bolsa, eu não preciso de mais uma bolsa, eu não preciso de mais uma bolsa...”
Mas Roberta continua a peregrinação pelo mundo maravilhoso das bolsas. E mais essa e mais aquela, e a bolsa in-crí-vel na prateleira, se refestelando toda. E Ticcia resiste bravamente por 5, 10, 15 minutos...repete o mantra e repete...
- AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!
- Que foi, Ti?!
- Pronto, Roberta, conseguiste, sua vaca.
- O quê?!
- Vou levar a bolsa.
- Mas eu não fiz nada!
- Fez! Ficou aí dando tempo pra minha lombriga consumista derrotar o meu bom senso. Cacete. Moça, vou levar. Parcela aí no maior número de vezes possível.
11.04.2005
DAS MULHERES QUE NÃO ASSUSTAM
Um dia ele disse que não estava preparado, que tudo havia ido rápido e longe demais, que tem coisas que a gente não pode fazer sem as certezas absolutas necessárias. Além disso, segundo ele, ela era uma mulher independente, inteligente, culta e "assustadora". Ela cogitou quais seriam as suas alternativas e concluiu que eram esperar pelas certezas calma e silenciosamente – e sofrer – ou mandá-lo à grandissíssima madre puta que o pariu – e sofrer. Optou pela segunda.
Meses e meses e meses e muitos casos mais tarde, encontraram-se numa pizzaria. Ele com uma menina impúbere dependurada no braço e uma aliança reluzente no dedo. Benhê, disse “a noiva”, posso pedir uma pizza com menAs caloria?
07.04.2005
FOCANDO
INSTANTE
Ela pegou o instante entre o polegar e o indicador, pelo fio que o ligava ao tempo e ele foi apartado para sempre e tornou-se só seu e, nisso, se olhou no espelho. Viu-se bela como nunca mais voltaria a ver-se. Nela coexistiam, naquele frêmito de instante, a mulher que ainda não era e logo seria e a menina que ainda era e logo deixaria de ser. Seu corpo era um todo de si e a si mesma pertencia, lúcido, repleto, inteiro, com todos os olhos do mundo lhe reconhecendo o prazer de existir ciente de suas possibilidades, das dores porvindas, dos gozos em promessa, da vida em maiúscula.
Continua aqui.
06.04.2005
PLENO VERÃO
Ticcinha voltando depois de uma vitória retumbante no Tribunal, esvoaçante em seu vestido azul (sim, vestido azul não é próprio para Tribunais, mas são os últimos suspiros de verão e eu estava com mood lady in blue, feliz demais para tailleur preto, e o que conta é o MEU humor, não o protocolo).
Uma senhora a interroga em frente ao prédio onde trabalha, pedindo informações. Ticcinha responde solícita e segue esvoaçante o seu caminho.
Logo a seguir, nota um homem descendo as escadas que a olha fixamente como se fosse dizer algo e Ticcinha cogita a possibilidade de estar usando um crachá escrito INFORMAÇÕES.
Todavia, contudo, entretanto, o simpático moço lhe diz sorrindo "Parabéns pela sua beleza" e segue o seu caminho.
Ticcinha, mais esvoaçante do que nunca, adentra triunfalmente ao prédio.
** Modéstia? Tinha, mas acabou. **
05.04.2005
NÃO FAZEM MAIS PAIS COMO ANTIGAMENTE
O Megero Cão, na minha última estada em Pelotas por ocasião da Páscoa, era impedido de cruzar os umbrais da porta. Cachorro fica no pátio. A cada tentativa, Megero Pai batia os pés ameaçadoramente e o pobre mascote quase tinha um enfarte.
Eu perguntei porque o bicho não podia entrar. Lugar de cachorro é na rua, dizia o patriarca megero. Mas por quê? Porque sim. Mas pai... Não e não.
Na semana passada, liguei pra lá e Megera Mãe me disse que o cão estava assistindo TV com Megero Pai.
Ontem, indagada acerca do paradeiro do cachorro, respondeu:
- Teu pai tá sesteando com ele.
- No pátio?!
(Perguntei achando que o pai estava dormindo na espreguiçadeira)
- Não, na MINHA cama.