29.10.2004

INVENTÁRIO INISITADO DE SITUAÇÕES SURREAIS

Depois de muito vai e vem, depois de se pavonearem muito, ele a convidou para almoçar. Marcaram num determinado restaurante, uma sexta-feira, meio dia.

Ela foi o mais linda possível, o mais perfumada possível e o menos nervosa possível, o que ainda assim era muito, apesar de julgar-se muito segura em pleno meio dia de uma sexta-feira.

Ao chegar, charmosíssimo, perguntou se poderiam almoçar noutro lugar. Ela estranhou, mas tudo bem. Era a primeira vez que saíam, não ia bater pé por isso.

Voltas e mais voltas e mais voltas e ela achando tudo aquilo cada vez mais esquisito. Um ar de expectativa, mãos úmidas, uma atmosfera de há algo de tenso no reino da Dinamarca, até que ele anunciou que se tratava de um seqüestro.

- Hã?
- É isso mesmo, estou te seqüestrando.
- Sei...


Mais voltas e voltas, qui, qui, qui, qué, qué, qué e falaram a respeito da índole dos seqüestradores, do comportamento das vítimas, das condições dos cativeiros e cárceres privados e de repente, nao mais que de repente, estavam de volta ao mesmo restaurante.

- Sou um seqüestrador bem razoável. Estou te dando uma chance de escapar. Podes abrir a porta e seguir. Estás livre. Se, no entanto, decidires ficar, te levo para onde quiser, faço o que quiser contigo.

Putz, ela pensa. Isso é que é ardil, meu caro. Ponderações mil em milhonésimos de segundo e ela quase leva a mão à maçaneta do carro. E se for um psicopata? Melhor, pensa, um Hannibal Lecter na minha vida não seria naaaaaada mau. Resolve definitivamente se arrepender do que fez, não do que deixou de fazer.

- Tá bem.
- Tá bem o quê?
- Tá. Eu vou. Pode me seqüestrar.
- Posso?
- Sim, pode.


E viva a Síndrome de Estocolmo.



***Não perguntem se foi comigo o causo. Como vocês podem ver, são três da tarde da sexta-feira e eu tô aqui, comportadamente postando historinha no blog.

por Ticcia, às 15:47 de 29.10.2004 - Categoria: Inventários Inusitados
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05.10.2004

INVENTÁRIO INUSITADO DE FRASES PÉ-NA-BUNDA

- Essa é a última vez que saímos juntos.


- A partir de agora não se discute mais quem fica com quem, só o que fica com quem.


- Eu não vou dar conta.


- Deixe a chave com o porteiro.



por Ticcia, às 10:53 de 05.10.2004 - Categoria: Inventários Inusitados
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