11.07.2006

SOS MEGERA LOUCA DA CACHOLA. Atualizado.

Meu povo, a médica da cabeça me sugeriu ontem a leitura de um texto do Contardo Calligaris que saiu na Folha de quinta passada (06.07). Será que haveria por aí uma alma caridosa que pudesse fazer a mão de mandar por mail para uma pobre criatura (no caso, eu) que não tem assinatura? Alguém? Plis?


Atualização: Maloca mimosa já me mandou. Para quem quiser conferir, é só clicar no link abaixo. Ter MILHARES de amigos é muito bom.

[clique aqui para ler o texto na íntegra]
por Ticcia, às 10:39 de 11.07.2006 - Categoria: Pitacos Psíquicos

29.06.2006

RELEITURAS.

Andei relendo alguns artigos psicanalíticos sobre a inveja escritos pelo Mário Quilici.

Segundo ele, este sentimento tem o seguinte mecanismo: primeiramente o indivíduo olha um objeto, situação ou um traço de alguém que imediatamente admira. No momento seguinte há uma comparação entre o que o outro tem e o que o indivíduo não tem. Aí então o indivíduo tem a percepção e ao mesmo tempo, a vergonha, de uma falta nele do que foi admirado (e valorizado) no outro. Surge aí, também, e a constatação de que aquilo que desejou, é impossível de ser obtido por ele. Essa insuficiência faz com que ele ataque e, conseqüentemente, tente diminuir o objeto invejado para fazer desaparecer a diferença que foi percebida. Esse mecanismo todo pode, claro, acontecer de forma muito pouco consciente.

Mas uma das coisas que mais bateram foi a revelação de que o invejoso é incapaz de sentir-se grato em relação ao invejado. Para o invejoso, todo o gesto de ajuda, amor, carinho, generosidade do invejado é visto como uma humilhação, é como se ele se confrontasse com o quanto o invejado é melhor, maior, mais qualificado, mais generoso, como se o gesto do invejado fosse dirigido tão somente a diminuí-lo ainda mais. Quanto mais o invejado dá e ama, mais mal o invejoso se sente em relação a ele, mais afundado no mecanismo de admiração/comparação/vergonha/ataque fica.

Ou seja, ao invejado não resta opção que não seja o afastamento.

por Ticcia, às 15:07 de 29.06.2006 - Categoria: Pitacos Psíquicos

19.06.2006

REFLEXÕES TOTAL FLEX.

Triste é notar que você parou de contrariar não porque passou a concordar, mas porque desistiu. A chance da criatura enxergar o que está acontecendo é tão remota que não justifica o dispêndio de energia na tentativa de explicar, nem o risco de se expor ao processo. Com isso os dementes ficam cada vez mais dementes, mas a gente guarda energias para fazer coisa melhor.

por Ticcia, às 13:51 de 19.06.2006 - Categoria: Pitacos Psíquicos

OS OLHOS DE CADA UM.




Vocês já notaram o quanto a gente consegue saber acerca de alguém (e de si mesmo), apenas pelas pequenas observações das quais cada um é capaz, apenas pelos comentários mais sutis? Dá pra perceber muito fielmente de que tipo de gente se trata só prestando atenção no que cada um percebe, no que acha digno de nota, no que acha importante, nas comparações que faz. Chega a ser assustador.



por Ticcia, às 09:57 de 19.06.2006 - Categoria: Pitacos Psíquicos

12.05.2006

DAS LOUCURAS NOSSAS DE CADA DIA. (Momento VAI PRO DIABO QUE TE CARREGUE).



Você já notou que as brincadeiras imbecis dos outros são sempre engraçadinhas sem maldade e sem nenhum recado filhodaputa implícito? Já notou que quando te batem no rim sem dó, piedade, oportunidade ou critério, é sempre pro seu bem, ou porque você fez por merecer? Já notou que se você está sozinha, sem eira nem beira, numa merda desgraçada, só está assim porque não foi capaz de pedir ajuda ou dizer expressamente o que estava acontecendo? Já notou que os outros têm o direito inalienável de dizer o que bem entenderem, quando bem entenderem, da forma que bem entenderem e se você se ofender, se emputecer ou se magoar, a doida é você?

Ah, tá, achei que isso só acontecia comigo.

por Ticcia, às 14:57 de 12.05.2006 - Categoria: Pitacos Psíquicos

10.05.2006

Há flores cobrindo o caminho e embaixo do meu travesseiro


Quais mensagens meu inconsciente está mandando quando sonho que dona Adelaide indica a mim e sua irmã Amarilda para trabalhar numa flores-cultura?! Na verdade era uma "fábrica de flores" onde poderíamos escolher o setor (eles estavam tão contentes que iríamos trabalhar lá que nos deixariam escolher o setor!) dentre colher todos os tipos de flores numa imensa plantação; na livraria cujas obras eram sobre plantas e flores; na floricultura aprendendo a fazer arranjos; e a parte legal - por que sonhos não tem pé nem cabeça - numa cafeteria florida ou no setor onde se preparava cachaça, cujo salário era maior devido ao percentual de "substituição" (essa parte compreendo!).

Amarilda escolheu colher flores ao ar livre e eu raciocinava da seguinte forma: na cachaçaria nem pensar por que não queria ficar trancada entre quatro paredes correndo o risco de virar alcoólatra; na livraria também não por que apenas mergulhar nos livros não me interessava; de forma que fiquei entre colher flores no campo e trabalhar na floricultura fazendo arranjos (me esqueci, no sonho, de analisar a oferta da cafeteria). Acordei antes de efetivar a escolha. Foi um sonho colorido, caminhando em meio as flores. Que a Adelaide é uma bichona-florida-colorida eu já tenho consciência, então quem pretende sugerir algo pule essa alternativa, por favor!







por Ro, às 19:32 de 10.05.2006 - Categoria: Pitacos Psíquicos

04.05.2006

Um degrauzinho acima

Tenho dedicado algum tempo a ler e estudar o que comumente chamamos de “sentimento de culpa”. Tenho dedicado mais tempo ainda a pensar sobre o assunto, inclusive conjuntamente e em análises empíricas: algumas pessoas sentem culpa, outras não. Claro, todos os tipos de pessoas dizem que sentem.

Existem pessoas que desenvolvem resistência a frustrações e tolerância à dor, são aquelas que conseguem se colocar no lugar dos outros. Aprendem cedo, por este caminho, a respeitar os direitos e limites alheios. São pessoas que imaginam como os outros podem se sentir em determinada situação, e ao se colocarem no lugar deles, sofrem. As injustiças cometidas contra outrem os machucam por que as pessoas que conseguem se colocar no lugar dos outros desenvolverem um sentimento moral verdadeiro, uma preocupação com o direito dos demais, que acreditam serem iguais aos seus. E elas sofrem mais do que o próprio outro diante da simples possibilidade de que a dor desse outro possa ter sido causada por elas. É essa tristeza que costumamos chamar de culpa.

Outras pessoas interrompem este processo emocional de maturidade no meio (já postei este texto fabuloso que coloca com propriedade como se forma um narcisista, aqui chamado de “egoísta” tendo em vista meu vício de linguagem adquirido pela leitura de inúmeras obras do Gikovate, que prefere esta expressão), pois não conseguem se colocar no lugar dos outros exatamente pelas dores aí envolvidas. Não lhes interessa uma eventual injustiça cometida contra outros por que eles não sofrerão com isto. Na escolha entre o outro e a si próprio, mesmo que a escolha possa ser hipotética, os egoístas escolherão a si, nem sempre de forma consciente. O freio interno do egoísta não é interno, é externo: o medo de represálias (morais ou legais). Portanto, os egoístas não sentem culpa.

Os egoístas, em virtude do sentimento de não suficiência, tornam-se criaturas que toleram mal o sofrimento – real ou fictício – em si mesmos. Isto determina sucessivas exigências, reivindicações, atenção e favores dirigidos aos que os rodeiam, e estes atos são registrados por estes como força. Os generosos, em virtude dos sentimentos de culpa, tornam-se criaturas que toleram mal o sofrimento – real ou fictício – “dos outros”. Isso determina sucessivas concessões aqueles que os rodeiam que são, por eles próprios (quando a auto-estima é baixa) e também pelos outros, registradas como fraqueza. Nem os primeiros são apenas força nem os segundos são os fracos, como podemos perceber. Senhores, tia Ro volta a bater na mesma tecla: o olhar que só enxerga por fora não enxerga nada!

Mas se a tristeza que deriva de se sentir causador de uma dor indevida a outra pessoa só se verifica em quem consegue fazer o exercício de se colocar no lugar do outro, é forçoso concluir que o sentimento de culpa, ou a emoção da culpa, é racional. Não, não há contradição em si mesma - ou há, e o ser humano é um infindável emaranhado de contradições. O sentimento de culpa não pode existir senão depois de um determinado grau de sofisticação da razão. Assim, é difícil imaginar uma criança de 2 ou 3 anos sentindo culpa, uma vez que esta emoção é muito pouco fundada em sentimentos primitivos, se é que se baseia em algum.

O amor adulto é a busca infantil pelo conforto que unia a criança a sua mãe* (aqui reside o xis da questão nas motivações inconscientes na escolha do parceiro amoroso), a inveja está ligada à vaidade ofendida, que está diretamente associada à raiva, componente natural do instinto sexual (as escolhas amorosas são compostas de uma nem sempre explosiva mistura de amor, inveja, vaidade, raiva e desejo). A culpa não. A culpa depende essencialmente da operação psíquica de se colocar no lugar do outro (despindo dos próprios pré-conceitos) e se identificar com o sofrimento deste ser humano diferente de si. Demanda força interior. Nem todo mundo tem, só os habilitados.

Mas a longa introdução foi para concluir despedaçando a Margarida: só sente culpa quem tem maturidade emocional para se colocar no lugar do outro, e só tem esta maturidade emocional quem desenvolveu tolerância às frustrações e à dor, e só tolera a dor quem foi treinado para isso, e esse treino vem do olhar de amor na infância. Só sente culpa quem está um degrau acima. Legal, né!? Ah, baby, como a senhoura está cansada de saber, não dá pra ficar parada no meio do caminho festejando a descoberta, é preciso seguir adiante: a generosidade excessiva também é doença. Aliás, é doença da vaidade, mas aí é oootafumiga.


* Quando eu falo mãe neste texto não estou me referindo essencialmente à mãe biológica, mas à figura materna, que sempre é representada na mente infantil por quem cuida da criança, seja ela a própria mãe, o pai, a avó, a babá ou irmão.

por Ro, às 10:47 de 04.05.2006 - Categoria: Pitacos Psíquicos

20.04.2006

What's on a man's mind

Recebi um mail interessante, e cheio de dúvidas, acerca dos benefícios/malefícios de se tratar a cabeça. Como vocês sabem, sou uma entusiasta do tratamento psicoterapico e, empiricamente, creio que quanto maior o investimento no tratamento, maior a vontade/necessidade de investir. E confesso que ainda hoje, no ano que comemoramos os 150 anos do nascimento do Dr. Freud, me surpreendo com a forma como exercitamos a relação do homem consigo mesmo, com os outros e com a cultura.

O médico-da-cabeça não é nosso amigo; é nosso médico. Não é da nossa conta se a criatura é casada, tem filhos, sabe dirigir, come beterraba, viaja no verão. Não temos que perguntar/saber da vida particular do cara. Ele é um profissional da medicina, tal qual o nosso ginecologista, cardiologista, proctologista, oftalmologista, legista. A diferença é que enquanto um trata dos nossos olhos de ver pra fora, o outro trata dos nossos olhos de ver pra dentro. Mas conhecer a nossa alma não faz dele nosso amigo íntimo.


E mais, nenhum doutor-das-idéias competente vai resolver os nossos problemas num passe de mágica. Se você está pensando que se começar a fazer psicoterapia ou análise, seus medos, angústias, fobias, etecétéra desapareçerão em pouco tempo e/ou iniciou seu tratamento com essa promessa: desista. Para isso procure um pai-de-santo. Tratar a cabeça demanda tempo, paciência, persistência, um bom profissional e a vontade de mudar aquilo que em nós mesmos nos faz sofrer (sim, você não está pensando que vai modificar o comportamento do seu namorado, marido, filha, mãe, avô, chefe... fazendo você o tratamento, está?!).

Mesmo que boa parte do seu, do meu, do nosso padrão de comportamento - quando não todo ele - tenha se formado na infância. Aqueles 10, 13 ou 15 anos de lenta e persuasiva formação da personalidade estão tão fortemente grudados em nós onde mesmo o que só está ali para causar sofrimento, não é fácil jogar fora e não é a médica-da-cabeça que vai lá retirar de dentro do nosso inconsciente toda a merda que ali foi alocada. Nós é quem vamos ter que sentir o cheiro pútrido e colocar a mão na massa. Os psis nos mostram o caminho - e não é dizendo qual a estrada você deve tomar e em que ritmo caminhar - dão a mão quando ficamos apavorados de entrar naquele quartinho escuro e poeirento, emprestam o esparadrapo e a gaze depois que limpamos e desinfetamos a ferida e ficam sentadinhos ao nosso lado esperando que ela cicatrize.

Se você está querendo alguém só para te ouvir, o doutor-das-idéias não é a pessoa/profissional mais indicado. Pague uma dama de companhia. A função do médico-da-cabeça não é "ser alguém que te escuta". É tratar a sua doença da cabeça. Ele não te escuta; ele te analisa. Ele não dá palpites; ele ajuda *você* a enxergar a *sua* melhor solução. Como? Por meio de perguntas. Lembra da chavinha que abre o quarto do Barba Azul? Pois então, a chave que abre a porta do inconsciente e que nos faz lançar luz neste quarto escuro são as perguntas adequadas. Ele faz as perguntas; nós as respondemos e achamos o caminho, sozinhos. Quem dá palpites, conselhos e afins na sua vida são os seus amigos ou quem mais você permitir, mas não o seu médico-da-cabeça.

Pense bem no que você está precisando/querendo - dama de companhia, pai-de-santo, cartomante ou médico-da-cabeça - e procure o profissional certo, ou não obterás o resultado almejado.

por Ro, às 12:37 de 20.04.2006 - Categoria: Pitacos Psíquicos

18.04.2006

Algumas pessoas nasceram para viver em cidadezinhas pequeninas felizes para sempre.
Outras não.
Definitivamente.

por Ro, às 15:25 de 18.04.2006 - Categoria: Pitacos Psíquicos

17.04.2006

Color Dreams





O dia que a serumana soube que certas pessoas sonhavam com o Mr. Big, na sua usual incredulidade, duvidou da veracidade da confissão.

Agora a pessoa esteve a noite inteirinha, num sonho após o outro, com o H., e ocorriam desde as mais ternas demonstrações de afeto até as mais pecaminosas ações instintivas.

Sim, a criatura está careca de saber que sonhos são manifestações do inconsciente. E tem a exata noção do recadim que elas estão lhe transmitindo.






por Ro, às 14:42 de 17.04.2006 - Categoria: Pitacos Psíquicos

31.03.2006

TIGRES.

Tem de haver alguma explicação plausível para haver na minha vida, nada mais nada menos, que 12 homens nascidos em 1962.

por Ticcia, às 14:37 de 31.03.2006 - Categoria: Pitacos Psíquicos

29.03.2006


Ibirapuera, de manhã.

por Ro, às 00:28 de 29.03.2006 - Categoria: Pitacos Psíquicos

28.03.2006

Quem muito se abaixa mostra os fundilhos

Segundo o Dicionário Aurélio, o vocábulo humilde significa:

[Alter. de húmile, com infl. de seu sinônimo humildoso.]
Adj. 2 g.
1. Que tem ou aparenta humildade.
2. Singelo, simples, modesto, pobre.
3. Respeitoso, acatador; submisso.
[Sin. ger.: humildoso (p. us.) e húmile (poét.). Superl. abs. sint.: humildíssimo. Cf. humílimo. ]

S. 2 g.
4. Pessoa pobre, de condição modesta.


Nesta mesma linha, humildade significa:

[Do lat. humilitate.]
S. f.
1. Virtude que nos dá o sentimento da nossa fraqueza.
2. Modéstia, pobreza.
3. Respeito, reverência; submissão.



Feito o intróito, é interessante pensarmos em quando eramos pequenos - dos 2 aos 5 anos de idade, período em que a personalidade está se formando - e capazes de compreender racionalmente as explicações de quem nos cuidava e ensinava, e a maioria de nós ouviu sem cessar a profecia: seja humilde! Alguns de nós, pobres coitados, ainda fomos obrigados a ouvir que, além de sermos humildes, ainda deveríamos dar a outra face quando alguém nos machucasse.

Não vou ficar aqui discorrendo sobre a culpa cristã e a humildade católica-apostólica-romana por que todos estão cansados de saber onde e como começou essa história do seja humilde, permita que sentem na sua cabeça, sofra calado, apanhe quietinho, suporte injustiças sem reagir, humilhado e mudo, tolere engolindo o choro.

Ocorre, meus queridos, que se vocês forem humildes terão que se contentar sempre com menos do que merecem, com os restos que não serve mais para alguém, com pouco; por que o humilde vale pouco. O humilde é singelo, comum, ordinário, simplório, desprovido de ornamentos. O humilde é aquele que nunca vai ser bonito demais, por que é feio ser bonito demais. Ele nem sequer vai ser bonito o suficiente para si próprio, por que para o humilde o máximo permitido é ser ajeitadinho. O humilde é aquele que nunca vai ser milionário, por que ter dinheiro em demasia é sinônimo de soberba, essa palavra tão horrenda e assustadora: ele precisa apenas viver com dignidade. O Humilde é aquele que nunca vai ser brilhante, por que é arrogante ser brilhante: ele almeja ser esforçado, embora não despreze os gênios, pois o desprezo é um sentimento muito forte e ele não se permite sentir emoções fortes: o humilde é contido.

Sim, o humilde é contido. Alguém que nunca vai se conceder o privilégio de extravasar, nem de alegria, nem de tristeza e muito menos de raiva. A raiva aquela, tão necessária e salutar, que empurra os atrevidos. É alguém encerrado em si mesmo, aprisionado em seus estreitos limites de singeleza, reprimido e oprimido. O humilde é o submisso, o explorado, o saco de pancada da vida. Exatamente, senhoras e senhores, estou lhes dizendo que alguns de vocês foram criados para serem uns imbecis. E espero que o círculo vicioso termine aqui.

Basta de ofertar ao mundo criaturas cuja personalidade foi formada para serem menos, para contentarem-se com pouco, para viverem de ninharia e serem constantemente ludibriadas, para se atreverem a cruzar apenas a linha do medíocre, para estarem plantadas esperando que Deus, Alá, Xangô ou o Edir Macedo lhes conceda a felicidade advinda da posse da mais preciosa virtude: a humildade. O mundo precisa de pessoas arrojadas, que não tenham medo de serem belas demais, formidáveis demais, arrebatadoras demais, ricas demais, férteis demais, talentosas demais. Pessoas que saiam por ai com a cabeça erguida em busca do seu lugar sem medo de não conseguirem, sem obrigarem-se a ficar com o que deu para fazer e aptas a burlar a armadilha plantada na infância de que elas devem dar a outra face quando alguém lhes arrebentar. O mundo precisa de pessoas que sejam capazes de se aceitar na sua magnitude e de ensinar aos cretinos a respeitar os limites alheios.

Seus pais disseram pra você ser humilde? Joga no lixo mais essa asneira e não repita o erro com seu filho, caso você não queira que ele se contente em ficar só com a parte do mundo que não é ruim. Quem foi educado para ser servo, nunca se sente a vontade como soberano.

por Ro, às 11:44 de 28.03.2006 - Categoria: Pitacos Psíquicos

13.03.2006

QUESTÕES DE ALTA DIVAGAÇÃO.

O que vale mais, ser feliz pelos motivos errados ou ser infeliz pelos motivos certos? O que a gente enxerga é o que existe, ou o que a gente consegue/pode ver? Se a gente trata da cabeça, trata para conhecer a verdade nua, crua e duela a quien duela, ou pra ser feliz? Se a verdade vai nos arrasar, o analista pode ser condescendente com uma versão forjada dos fatos, ou, pelo menos, com a versão forjada dos fatos que se sustenta? E mais, a verdade existe, ou ela é sempre e inderrogavelmente a nossa versão forjada dos fatos que se sustenta enquanto se sustenta?

Tá, eu sei: too much for a monday morning.
Não, não tomei nada, nem ácido, nem gardenal.
Não, também não assisti Lynch de novo.
Dêem um desconto: inferno astral.

Vou ali socar a cabeça na centrífuga e já volto.



CALENDÁRIO BUnDISTA DO MEGERAS DE HOJE DIZ:





Enquanto a gente questiona as regras do jogo não é nada. Punk mesmo é quando a gente começa a perguntar se o tabuleiro e as peças existem.





por Ticcia, às 09:17 de 13.03.2006 - Categoria: Pitacos Psíquicos

10.03.2006

PORQUE A GENTE É ASSIM - Parte 2.




Eu memorizo os tempos entre os semáforos nos trajetos que eu faço. Aí sei exatamente qual a velocidade que eu tenho de manter entre um e outro para pegar aberto. Eu também memorizo, estatisticamente, qual pista vai mais rápido. O pior é que não é um trajeto ou dois, são dezenas. E quando eu estou no carro de alguém, fico ansiosa pra dizer “mais rápido, mais devagar, não essa pista, a outra!”, mas claro, não digo. Horrível, horrível. Há algumas semanas descobri que isso não acontece só em Porto Alegre ou Pelotas. Eu tinha memorizado os trajetos na cidade onde passei férias com outra pessoa dirigindo o carro. É, seu sei. Não precisa dizer.







Eu não suporto luz. Em casa é praticamente tudo luz indireta, sou a rainha das lâmpadas de 15 volts. Fico irritada com luz no meu olho, na casa dos amigos incomodo pra fechar cortinas, desligar a luz, etc., mas como eu além de fotofóbica sou anti-social, isso não é o problema. Vlada Dracul, prazer.






Eu odeio, odeio, odeio comer sozinha. Prefiro não comer. Se isso não é possível, uma vez que odeio mais passar fome do que comer sozinha, eu como em frente à TV ou no computador. Eu suborno Hilda, a gata, pra me fazer companhia no café da manhã dando o resto do iogurte pra ela.








Eu gosto pouco de visita e só convido quem eu realmente quero que me visite, mas gosto de viver junto. Ou seja: ter companhia subentendida = bom; fazer sala obrigatória: definitivamente não bom.




por Ticcia, às 09:01 de 10.03.2006 - Categoria: Pitacos Psíquicos