13.07.2006
DESEJO DE MORTE.
12.07.2006
KAFKA RULES.
No guichê de uma repartição pública:
- Como é que estrangeiro faz pra regularizar o *documento XYZ* ?
- Vai na embaixada brasileira ou manda procuração pra trarem disso.
- Então é só vir aqui?
- Alguém munido de procuração com poderes específicos e firma reconhecida.
- Mas o gringo tá aqui.
- Mas aqui só pode tratar disso alguém com procuração dele.
- Mas peraí. A senhora não está entendendo. A pessoa está no Brasil, ela mesma em carne, osso e boa vontade, quer regularizar a situação do *documento XYZ*, mas não pode tratar disso pessoalmente?
- Não, só por procuração.
- Tem que ir a um tabelionato com duas testemunhas que atestem que ela é ela, registar firma, depois achar algum vivente disposto a aceitar uma procuração para tratar de regularizar o *documento XYZ* dela em seu lugar, reconhecer firma, e ainda convencer o vivente esse a ir até a repartição, pegar senha e ser atendido, tudo com o próprio interessado ao lado, se for o caso?
- É.
Em uma palavra: SURREAL.
06.07.2006
CURTA EM 8MM.
04.07.2006
EU E MINHA NAMORADA, MAIS UMA VEZ.
Dia dos namorados, Paulinha, a Megera Irmã, de visita à capital do estado, maridão em Pelotas. Resolvemos jantar onde sempre jantamos na ausência do Marculino avesso a peixe: japonês.
Combinamos de madrugar na frente do restaurante, modos que dia dos namorados é sempre aquele atrolho de pombinhos. Chegamos 19:45 e fomos as primeiras (da lista de espera). Às 20:20 conseguimos uma mesa no mezanino e lá fomos as duas degustar sushis, sashimis e nossas sakerinhas de frutas vermelhas. Nós as duas, e mais 24 casais de enamorados arrulhantes, coisa muito linda, diga-se.
Na hora de pedir a conta, os garçons tinham sumido e dois dos sushimen pareciam se divertir com nossos olhares perscrutadores à caça de viv'alma que nos ajudasse. Comentei com a Paula que eles já tinham visto que queríamos a conta, mas inacreditavelmente nenhum dos dois falava nada para os garçons que continuavam indo e vindo e nos ignorando olimpicamente. Consegui finalmente chamar a atenção de um, que gentilmente trouxe a nota. Já na saída, ao passar pelo balcão, ouvimos dois simpáticos "Boa nooooite! Voltem Seeeeeeeeempre". Foi aí que, pelo tom dos rapazes, pelos sorrisos, pelos olhares brilhantes e gulosos, nos demos conta de que eles estavam se divertindo há mais de uma hora com a idéia de que nós as duas fôssemos, também, um casal. E saímos ambas rindo muito e fazendo carão de noite de núpcias.
12.06.2006
PINK POWER.
A moça aquela que vocês conhecem, desde que mudou pro apezinho de mulher avulsa, tem arroubos de adquirir uma máquina de lavar louça. Todavia, a dita não caberia embutida no balcão e atravancaria a metade do espaço disponível da pia. Depois de muito ponderar e se entristecer com as suas unhas feitas
by Jurema destroçadas pelo detergente, a moça concluiu que mais vale uma pia entulhada que unhas em petição de miséria. E comprou o eletrodoméstico.
Mas até aí, nada de fenomenal, pessoas compram máquinas e entulham pias todo santo dia. O detalhe é que eu não só comprei e entulhei, como
INSTALEI a bicha, com direito a troca de torneira e tudo. Paulinha ajudou com pitacos, solidariedade e apoio (físico e emocional) e ficou especial de primeira. No capricho. Um entulho, mas um entulho funcionando e sem vazamento! YEAH!
* Desde já recomendo efusivamente a ferragem da Lima e Silva em frente ao correio às destemidas moçoilas de Gay Harbour. O dono e sua esposa auxiliam e dão dicas, esclarecem, explicam e incentivam. Uns queridos.
10.06.2006
MEGERA ENTEADA.
Quando eu a conheci, tinha dois anos e era o bebê mais bonito do mundo. Tinha grandes olhos azuis, bochechas rosadas, cabelinhos loiros e um sorriso de capa de revista. Eu preocupadíssima em conquistá-la, candidata a madrasta que era, e ela muito mais interessada nos negrinhos (ela chamava qualquer docinho de negrinho, mas gostava mesmo era dos branquinhos) e nas salsichas dos cachorros-quentes que eram servidos no aniversário do primo. Eu passei a festa toda atrás dela e nos divertimos muito, brincando com o Babyssauro. Convivemos por dez anos e, depois disso, nos vimos só duas vezes, ela em outra cidade, eu com outra vida. Hoje liguei para o pai dela e ele me disse que ela estava lá. Mandei um beijo e ouvi ela perguntar se era eu. À resposta afirmativa dele, pediu para me dizer que não é para eu terminar com o Megeras, que ela lê todos os dias e gosta e que já leu quase tudo que tem aqui, só nunca comentou. Falamos um pouco, combinamos de nos encontrarmos na próxima vinda, comer uma pizza e bater papo. Ela diz que sim. Tem quinze anos, imagine.
Isa, olha, fiquei feliz. Muito feliz.
Combinado, tá?
29.05.2006
A velocidade que eu vinha, não sei. Pisei no freio obedecendo ao coração e parei...
Vocês sabem que a pessoa tem alguns pobremas com a direção do carro. Então quando a pessoa avistou duas moças pedindo carona na estrada, passou direto. Depois deu uma espiadinha pelo retrovisor e, E, *E* achou as gurias meio estranhas, no que a ficha não demorou dois segundos para cair. A pessoa engatou a ré:
- Pra onde, meninas?
- Porto Alegre, mas a gente vai até onde tu fores.
- Bem vindas a bordo, a comandante avisa que este será um vôo de fortes emoções: muita turbulência buraquedistica no céu.
E as moças deram risada, escolheram o CD da Kylie, dividiram o chocolate e preciosas dicas de tintura para cabelo. Agora me respondam se Roberta Arabiane poderia deixar o que devem ser os únicos travestis de Palmeira das Missões, bem lindas bem tudo, pedindo carona na estrada com uma mala rosa-pink de rodinhas nas mãos?!
Não, né.
23.05.2006
TPM ou QUEM NUNCA FEZ ESSE PAPEL RIDÍCULO QUE ATIRE A PRIMEIRA CAIXA DE KLEENEX.
- Alô.
- Alô, Pedro Henrique?
- Eu.
- Ah, graças a deus!
- Que foi?
- Como “que foi”? Tu tá bem? Tá muito chateado comigo ainda?
- Hã?
- Ai, eu sei, eu sei, aquele mail de ontem. Olha, eu tava uma pilha, mas quando eu liguei pela terceira vez e tu não atendeste, eu tive uma crise de choro, achei que tu estavas cheio de mim, que tinhas cansado das minhas inseguranças e infantilidades e nunca mais ias falar comigo, aí escrevi aquilo tudo, no impulso...
- Mas...
- Tens razão, tens razão. Aí eu sei que não adianta mandar mails, SMS, cartão virtual, post enigmático, mensagem de voz e quatrocentas ligações para pedir desculpas. Eu sei que eu fiz merda. Bem feito que tu não atendeste e não retornaste. Mas me desculpa, Pedro Henrique. Eu te amo muito, muito, eu juro que paro com isso.
- Eu...
- Tá, tá bem. Não precisa dizer nada agora. Eu sou uma besta, tá, eu sei. Mas eu sou uma besta louca por ti.
- Mas Maria Cristina, eu te disse que eu tinha um seminário e o celular não tava habilitado aqui. Não vi nada, nem o mail tive tempo de olhar.
- Ah, é?
- É.
- Ai, que alívio! Deleta tudo, tudo e nem olha?
- Ok.
- Jura?
- Juro.
- Mesmo?
- Siiim.
- Agora diz que me ama.
- Te amo.
- Eu também. Um beijo, amor. Bom seminário.
- Beijo.
FEITIÇO DO TEMPO.

É engraçado como há pessoas que se repetem na minha vida, sempre numa mesma circunstância. É como se fosse uma conjugação de fatores aleatórios que quando presentes, plim, invocam determinado cidadão de onde quer que ele esteja. Por exemplo, às vezes passo meses sem ver a criatura, mas quando eu tô feliz, de viagem marcada, tendo que fazer compras, Fulana me liga e me ajuda com a mala e as compras. Ou quando eu tô triste, tomei um pé na bunda, cheia de trabalho acumulado e precisando ir à manicure, Ciclano me convida pra jantar. Ou quando eu tô com os pacová pelos gorgomilhos de paciência com alguém, surge sempre Beltrano para ser o pivô do quebra pau. Ou ainda quando eu compro ingresso de última hora pra ir a um show que eu me convenci que mesmo indo sozinha eu não posso perder, lá tá Fulaninho, freqüentemente na mesma fila, e nos fazemos companhia. É incrível. Essas pessoas devem achar que eu vivo no Dia da Marmota. Pra falar a verdade, às vezes eu mesma acho que vivo no Dia da Marmota.
18.05.2006
ARRASOU MUITO PONTO COM, PONTO BÊ ÉRRE.
Megera Família reunida para o jantar pós batizado da Megera Afilhada. Alguns convidados desconhecidos dos Antoniete Ferreira. Megera Mãe arrasando em argolas, frufrus e peruagens. Megero Pai elegante no seu jeans e suéter. Megera Irmã e Megero Cunhado (ainda) em lua de mel. Ticcinha avulsa, pra variar. Vai daí que Megera Mãe tá de papo com uns convidados quando um deles pergunta:
- São suas filhas?
- São, sim.
- São lindas e muito parecidas.
- Ah, obrigada. A mais nova casou agora em janeiro.
- É? E aquele lá é quem? É o marido da mais velha? (referindo-se ao Megero Pai)
- Errrrrr... não, não, é o pai delas.
Não preciso dizer que Cacá ficou se achando de uma tal forma que até agora ainda tá difícil de estabelecer um diálogo razoável com ele sem que na conversa se introduza o tema, ainda que só por referência.
O TEMPO PASSOU NA JANELA.
Eu e Paulinha comentando com Vó Nininha da injustiça que era haver duas músicas muito legais pra Carolina (Chico e Seu Jorge) e necas de pitibiriba pras Patrícias ou Paulas. Aí a véia esnobou e contou que havia um livro no qual ele tinha estudado, chamado Seleta em Prosa e Verso, nos idos de 1930, que continha um poema para Carolina.
De vingança, catei o livro no sebo e mandei entregar por SEDEX. Quero só ver a reação quando ela ver o livrinho que lia e copiava textos pra treinar caligrafia na terceira série.
16.05.2006
CONTOS DE PHADA versão 3.0 - COMO FOI SUA PRIMEIRA VEZ?
Branca de Neve:
“Foi com um anão. E olha, aquilo tudo que falam de baixinhos é verdade.”
*** *** ***
Bela Adormecida:
“Ele era mais feio que um dragão e a espada não era lá grande coisa, fechei os olhos e acabei pegando no sono.”
*** *** ***
Maria (irmã de João):
“Ahhhh foi com o dono da confeitaria perto da minha casa.”
*** *** ***
Pinóquio:
“Foi com uma bananeira muito charmosa que balançava languidamente ao sabor do vento.”
*** *** ***
Cinderela:
“Ele era totalmente podólatra e tinha altos fetiches com sapatos de vidro e salto agulha”.
*** *** ***
João (do pé de feijão):
“Foi com a galinha dos ovos de ouro que acabou traumatizada e sem chocar por mais de ano”.
*** *** ***
Os Três porquinhos: Heitor:
“A minha foi com a Doralice numa cabana de palha que depois pegou fogo.” Cícero:
“Já a minha foi com a irmã da Doralice num barraco aqui de perto de casa.” Prático:
“Eu levei Doralice e a irmã dela para um motel da zona sul.”
*** *** ***
Bela:
“Ele era um verdadeiro príncipe na sala, mas uma fera sob os lençóis.”
*** *** ***
A Formiga:
“Foi numa tarde de inverno, convidei o formigo para ver o meu estoque de folhas para 30 dias”.
*** *** ***
A Cigarra:
“Ele apaixonou-se pela minha afinação e me propôs um dueto de corda e sopro”.
*** *** ***
Pedro (do lobo):
“Ah, foi só o lobo de distrair e eu... crau.”
*** *** ***
Rapunzel:
“Foi dolorido. O cara ficou todo tempo me segurando pelos cabelos.”
*** *** ***
Alice:
“Não sei, acho que puseram alguma coisa no meu bolo. Acordei nos fundos da chapelaria vestida de coelhinha entre dois valetes e um rei de paus.”
*** *** ***
A Princesa:
“Ele veio com um papo de que ia me mostrar como o sapo faz com a perereca.”
*** *** ***
Chapeuzinho Vermelho:
"Foi com um lenhador que depois nunca mais me procurou porque preferia mulheres mais velhas."
Vital passou a se sentir total, com seu sonho de metal...
Era uma vez uma moçinha doce e meiga
*, que trabalhava de sol a sol para sustentar seus pequenos e indispensáveis caprichos, e num lindo dia chuvoso saiu apressada para uma profícua audiência de réu preso, usando sandálias e vestido esvoaçante, tudo bem apropriado e condizente com o teor climático outonal torvelino.
Nossa querida heroína dirigia rapidamente por uma das bem conservadas rodovias de nosso amado país quando, de repente mais que de repente, seu caminho foi interrompido pelos felizes habitantes do maravilhoso local que exerciam o indisponível direito de manifestação pacífica, bloqueando a passagem da diligente adevogada que, não vindo ao mundo a passeio, descolou a indicação de um caminho alternativo por uma cruzada de pernas e um sorriso.
A recém descoberta rota trouxe à vida da doutora a inigualável experiência de dirigir na estrada de chão durante a chuva. Como a moça estava atrasada, deu uma aceleradinha desestabilizando um pouquinho o veículo e ensejando a necessidade de troca de marcha para diminuir a velocidade (para quem não sabe, é proibido utilizar o freio em estradas com pedrinhas soltas, pois a falta de aderência do veículo ao solo provoca derrapagem, e disso a moça sabia). A sandalinha embarrada da moçinha fez com que seu pezinho escorregasse e não engatasse a marcha, apagando o motor. A motorista desconhecia o porquê de a direção estar tão dura, mas seus delicados braçinhos não tinham força para impedir o carro de correr direto para o barranco. A pobrezinha só teve tempo de ouvir um estrondo antes da colisão com um tronco de árvore.
Um pouco nervosa e levemente irritada (ela estava começando a crer que o Paulo Coelho era um baita charlatão, pois o mundo estava conspirando
contra seus desejos), a fofinha desceu do carro na chuva, pela segunda vez, a fim de verificar o estrago. Ao descer enfiou seu saltinho quinze metalizado num buraco adquirindo um pouquinho mais de irritação e constatando apenas um pneu furado. Ficou imensamente feliz de estar atrasada para a audiência, numa estrada desconhecida, rodeada de mato, embaixo de chuva, com os pés embarrados e um pneu furado cuja troca ela não tinha a menor idéia de como operacionalizar.
[clique aqui para ler o texto na íntegra]09.05.2006
About her...
Quando minha mãe estava grávida, o primo dela, que na verdade foi a irmã que ela não teve, estava pintando esta tela. Ela pediu de presente e ele respondeu:
se for uma menina eu te dou. Na madrugada do dia 30 de novembro começaram as contrações. O que uma mulher prestes a parir fazia sacolejando numa festa é um mistério para mim, assim como o é a genética, mas ela foi levada para o hospital pelo Dr. Araby. Eu nasci apenas de manhã e quando o primo chegou foi recepcionado com um
cadê o meu quadro?
Lembro que durante os anos de infância a tela ficou na parede da sala da casa da minha mãe e depois foi colocada em cima de algum roupeiro sem a moldura. Ano passado quando me mudei encontre-o todo rachado, coberto de pêlos dos gatos, rasgado e com a tinta descascando em vários lugares. Mandei restaurar e colocar a moldura, dourada evidentemente. Tem certos acontecimentos infantis cuja lembrança é uma benção. Claro que depois de pronto, dona Maugareti diz que o quadro é dela. Rá, quero ver é alguém conseguir tirá-lo da minha parede berinjela!
Feliz aniversário, mãe.
04.05.2006
Da série MEUS FILHOS, EU ouVI.
- Ouvi propaganda na rádio de um restaurante que serve bufê e à la carDe. Tu sabe o que é?
- Não.
- O que será esse tal à la carDe?
- Não sei, mas deve ser bom, para fazerem propaganda que tem no bufê, né?
- É, deve ser. Será que é peixe?