20.04.2006

Da série Republicação a Pedido - A VERDADE.

Sabe aquelas eternas dúvidas sobre se o Bofe está a fins ou não está a fins? Aquela coisa que dá vontade de ir à cartomante, jogar tarô, comprar bola de cristal? Aquilo de ligar pras amigas às quinze pra meia noite para pedir um auxílio na interpretação da resposta dele da mensagem que você recebeu pelo celular? Tudo isso é coisa do passado.

Nós, as Megeras Magérrimas, vamos ajudar a superar esse dilema do ele está ou não a fins.

1) Minha filha, se você abalou Bangu, abalou de cara. Ele não vai ter sido meio morno da primeira vez que vocês ficaram juntos, meia boca da segunda, para dois meses mais tarde ele descobrir que você é a mulé dos sonhos. Se não bagunçou o coreto de chinfra, never more. Próximo!

2) Ele disse que depois te liga? Se não ligar no máximo três dias depois, não liga mais e se ligar, é porque não achou nada melhor para fazer (ou comer). Homem que ficou realmente interessado, vai querer marcar território e LOGO, antes que algum gavião apareça e leve sua princesinha embora.

3) Ele disse que depois ELE te liga? Então não ligue. Ou ele está dizendo que ELE vai pensar no assunto, ou está dizendo que ELE dá as cartas. Se você quiser ligar, tudo bem, mas aí não dá para saber do real interesse do rapaz e é possível que ele entre numas de “já que você insiste...” Tudo bem, se pra você isso pouco importa, o negócio é aproveitar e fim.

4) Se ele disse para VOCÊ ligar e você estiver a fins, ligue. Ele tomou essa atitude porque não ficou convicto de que você está interessada. Ligue e pronto.

5) Se ele não ligou não é porque você deu, nem porque você não deu. É porque não rolou o clima certo. Pelo menos pra ele. Desencane, parta para outra, chame a senha seguinte. Nada pior que uma mulher correndo atrás de bofe desinteressado, mandando mensagenzinha besta pro celular, arrumando desculpa para ligar, numa coisa encalhada pelamordedeus-me-chama-pra-sair. Assim como a gente ODEIA bofe uó pegajoso, que fica na cara que está tentando chamar atenção mandando mensagenzinha besta, e-mailzinho triste, ligando com desculpazinha esfarrapada, eles também percebem essas manobras idiotas. Se manca.

6) Se ele estiver realmente interessado, vai deixar bem claro. Se ele for meio que meio, mais pra lá que pra cá, ficar se fazendo, é porque tá te cozinhando até arrumar coisa melhor. Isso de mandar um mail na vida outro na morte, te incluir em lista de piadinha, vez por outra mandar mensagem no teu celular pra saber como você está, é furada, é só pra te manter orbitando no harém de Vossa Excelência. Nenhum homem que está realmente a fins faz isso. Homem a fins convida para jantar, pra ir ao cinema, para sair. Manda o morninho seguir. Dá um vale transporte pro garoto e larga no ponto de ônibus. Dispensa.

7) Se ele ligar e você estiver realmente a fim, tope o programa. Fazer joguinho de cena é de uma imbecilidade atroz. Se ele é do tipo caçador que precisa de resistência e emoção, esconde-esconde, momentos de tensão, que vá fazer safári. Seja sincera, fique feliz, tope e vá linda, bela, cheirosa e capriche no modelão.



OBS.: Aos defensores do vernáculo de plantão, aviso que a expressão "a fins" é de minha própria e intransferível autoria, trata-se de neologismo apoplético e eu assumo total responsabilidade pelo atentado contra a língua pátria.

por Ticcia, às 16:49 de 20.04.2006 - Categoria: Crônicas Cretinas

What's on a man's mind

Recebi um mail interessante, e cheio de dúvidas, acerca dos benefícios/malefícios de se tratar a cabeça. Como vocês sabem, sou uma entusiasta do tratamento psicoterapico e, empiricamente, creio que quanto maior o investimento no tratamento, maior a vontade/necessidade de investir. E confesso que ainda hoje, no ano que comemoramos os 150 anos do nascimento do Dr. Freud, me surpreendo com a forma como exercitamos a relação do homem consigo mesmo, com os outros e com a cultura.

O médico-da-cabeça não é nosso amigo; é nosso médico. Não é da nossa conta se a criatura é casada, tem filhos, sabe dirigir, come beterraba, viaja no verão. Não temos que perguntar/saber da vida particular do cara. Ele é um profissional da medicina, tal qual o nosso ginecologista, cardiologista, proctologista, oftalmologista, legista. A diferença é que enquanto um trata dos nossos olhos de ver pra fora, o outro trata dos nossos olhos de ver pra dentro. Mas conhecer a nossa alma não faz dele nosso amigo íntimo.


E mais, nenhum doutor-das-idéias competente vai resolver os nossos problemas num passe de mágica. Se você está pensando que se começar a fazer psicoterapia ou análise, seus medos, angústias, fobias, etecétéra desapareçerão em pouco tempo e/ou iniciou seu tratamento com essa promessa: desista. Para isso procure um pai-de-santo. Tratar a cabeça demanda tempo, paciência, persistência, um bom profissional e a vontade de mudar aquilo que em nós mesmos nos faz sofrer (sim, você não está pensando que vai modificar o comportamento do seu namorado, marido, filha, mãe, avô, chefe... fazendo você o tratamento, está?!).

Mesmo que boa parte do seu, do meu, do nosso padrão de comportamento - quando não todo ele - tenha se formado na infância. Aqueles 10, 13 ou 15 anos de lenta e persuasiva formação da personalidade estão tão fortemente grudados em nós onde mesmo o que só está ali para causar sofrimento, não é fácil jogar fora e não é a médica-da-cabeça que vai lá retirar de dentro do nosso inconsciente toda a merda que ali foi alocada. Nós é quem vamos ter que sentir o cheiro pútrido e colocar a mão na massa. Os psis nos mostram o caminho - e não é dizendo qual a estrada você deve tomar e em que ritmo caminhar - dão a mão quando ficamos apavorados de entrar naquele quartinho escuro e poeirento, emprestam o esparadrapo e a gaze depois que limpamos e desinfetamos a ferida e ficam sentadinhos ao nosso lado esperando que ela cicatrize.

Se você está querendo alguém só para te ouvir, o doutor-das-idéias não é a pessoa/profissional mais indicado. Pague uma dama de companhia. A função do médico-da-cabeça não é "ser alguém que te escuta". É tratar a sua doença da cabeça. Ele não te escuta; ele te analisa. Ele não dá palpites; ele ajuda *você* a enxergar a *sua* melhor solução. Como? Por meio de perguntas. Lembra da chavinha que abre o quarto do Barba Azul? Pois então, a chave que abre a porta do inconsciente e que nos faz lançar luz neste quarto escuro são as perguntas adequadas. Ele faz as perguntas; nós as respondemos e achamos o caminho, sozinhos. Quem dá palpites, conselhos e afins na sua vida são os seus amigos ou quem mais você permitir, mas não o seu médico-da-cabeça.

Pense bem no que você está precisando/querendo - dama de companhia, pai-de-santo, cartomante ou médico-da-cabeça - e procure o profissional certo, ou não obterás o resultado almejado.

por Ro, às 12:37 de 20.04.2006 - Categoria: Pitacos Psíquicos

LEAVE THE CANNOLI.





Nemo Nox conta hoje a parte portoalegrense do périplo para reunir a documentação necessária para emissão do seu Green Card.

Tudo já resolvido, ele me pergunta por mail quanto eu gastei, etc. Aviso que não se preocupe com isso. Na hora certa, no melhor estilo Corleone, eu vou ligar e pedir um favor.






por Ticcia, às 08:50 de 20.04.2006 - Categoria: Estórias da Carrocinha