Ganha um beijo de língua quem acertar onde Roberta Arabiane terminou o domingo.
Como não há a menor chance de alguém acertar, eu conto: Roberta Arabiane foi à missa, na magnífica Catedral de Fred West que, para quem não sabe, é sede de bispado.
Sim, este é o principal programa que a cidade oferece no domingo. Não, ela não está louca.
E havia vááááários tigrinhos pegáveis lá.
Eu acho que todo mundo devia ter direito a atendimento emergencial no caso de se sentir um cocozinho. Naqueles dias em que a vida da gente não tá valendo um tostão furado, um nickle, um pence, um cêntimo, um centavo, merda de coisa nenhuma, que a gente já tá com os pacová até as beiradas, um pote até aqui de mágoa, pelos gorgomilhos, paciência foi pro espaço e não volta, vítima de todas as injustiças da face da terra, alvo de todos os raios e todas as sacanagens possíveis e imagináveis, fodida e mal paga ou, simplesmente, de TPM, a criatura teria direito a um resgate e seria salva em grande estilo da merda total, geral e irrestrita. Também teria direito a escolher a modalidade de salvamento: helicóptero, boeing, saída clandestina do país, batedores, escolta, private terminator.

Também poderia escolher o herói: Stallone, Schwarzenegger, Jack Bauer, Chuck Norris, Steven Seagal, Charles Bronson, Bruce Lee, Uma Thurman e entregaria uma lista prévia de quem a gente gostaria de ver eliminado na fuga. Se o lugar deveria ser explodido, metralhado, atingido por um meteoro desgovernado, invadido por uma brigada de marines ou se o chão simplesmente se abriria e levaria para o inferno tudo o que ficou pra trás. Claro que os mais saudosistas poderiam optar simplesmente por chamar pela mãe, mas pronto, cada um exerceria seu direito inalienável de mandar o mundo à putaqueopariu como bem lhe aprouvesse.
A gente teria uma quota anual de resgates, negociáveis em mercado de bolsa, com cotação oficial, turismo e paralela. Poderia ainda ganhar Vale-resgate de aniversário, crisma, Natal e Dia da Mulher. Os xópins sorteariam resgates para seus clientes em compras que ganhariam bônus a cada 100 reais em consumismo anti-depressivo. Haveria programa de milhagens de resgate e a gente poderia fazer upgrade da classe econômica (táxi com escolta do Jackie Chan) para classe executiva (Jatinho com o Jack Bauer).
Tá, eu sei, é só segunda-feira. Vou respirar no saco.